Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 27/09/2019

Conforme a Constituição Federal, cabe ao governo o dever gerir e administrar a captação e a distribuição de água. Contudo, claramente, se percebe um descumprimento dessa questão, uma vez que a escassez é uma problemática constante na vida de boa parcela da população, tanto em cenários dificultosos, como o sertão nordestino, quanto em zonas desenvolvidas, como a cidade de São Paulo. Desse modo, a ganância pelo capital estimula a desigual divisão no uso de recursos hídricos. Ademais, esse quadro é uma adversidade para a saúde pública.

Em primeiro plano, devido ao Brasil possuir expressiva porção da água potável disponível no mundo, fundamenta-se a crença da abundância e de que seria impossível um país com tal configuração sofrer com estresse hídrico. No entanto, além dela não estar repartida igualmente pelo território, segundo a Agência Nacional de Águas, em 2012, enquanto a agricultura e a indústria consumiam 79% da água, a população usava cerca de 10%. Dessa maneira, de acordo com o poeta Friedrich Schiller, “não há homem que, se puder ganhar o máximo, se contente com o mínimo”. Logo, é perceptível que a asseguração de um direito é negligenciada, a fim de fomentar e fortalecer a economia, consequentemente, a dignidade de inúmeras pessoas é castrada e a precariedade é acentuada.

Outrossim, é imprescindível destacar que, pelo corpo ser constituído entre 70% e 75% de água, sua existência é essencial para a vida de qualquer indivíduo. Entretanto, consoante ao Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, em 2017, eram próximos de trinta e cinco milhões de brasileiros que não possuíam acesso à água tratada. Dessa forma, essa ausência configura uma desconsideração com a saúde, visto que aumenta a incidência de infecções e doenças gastrointestinais, sendo essa uma das maiores causas de óbitos infantis em situação de pobreza. Por isso, nota-se uma contradição no poder público que, não raramente, prioriza o aspecto econômico, todavia não se atenta às variadas despesas geradas na área da saúde, por exemplo com assistência no Sistema Único de Saúde e afastamento de trabalhadores.

Portanto, a fim de minimizar a problemática, o Governo Federal precisa empregar medidas que objetivem democratizar e universalizar o acesso aos recursos hídricos. Isto posto, com o Ministério do Desenvolvimento Regional, deve implantar um programa de gratificações, no qual governos estaduais e municipais que aderirem, tem que investir seus esforços na garantia de alcance da população à água potável, caso que será fiscalizado por comissões em todo o território, em ordem para estarem elegíveis à uma bonificação em suas rendas. Assim, é possível assegurar uma boa qualidade de vida à população integralmente.