Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 02/10/2019
A água em nome do poder
Desde 1985, com o início do projeto de transposição do Rio São Francisco, iniciou-se, no país, uma tentativa de solucionar os problemas relacionados à seca.Entretanto, a concentração populacional e fabril- motivada pela maior disponibilidade de recursos, como mão de obra, matéria-prima e transporte - em regiões como o Sudeste e parte do Nordeste, contribui para um consumo volumoso e localizado de água, o que ocasiona a existência de crises hídricas. É necessário, portanto, um debate entre Estado e sociedade, a fim de que os erros existentes sejam sanados.
Sob esse viés, consolida-se o pensamento de Paul Watson acerca de a inteligência das espécies ser habilidade de viver em harmonia com o meio, baseado no fato de que, no Brasil, desequilíbrios ambientais ocasionados pela concentração industrial no Sudeste refletem o quanto há a má gestão dos recursos ambientais e sociais, sobretudo os relacionados à disponibilidade de água. Isso, por consequência, causa uma pegada hídrica localizada, além do descarte descontrolado de poluentes fabris nos mananciais, como chumbo e mercúrio. Nesse cenário, o consumo direto de milhões de pessoas passa a ser racionado, devido a menor oferta do recurso,como aconteceu na cidade de Campinas, em 2014, com a redução do volume do rio Atibaia. Isso, por consequência, reduz a produtividade dos trabalhadores e estudantes, visto que a nutrição - fonte energética do corpo humano- fica restrita aos alimentos que não necessitam de água no preparo.
Convém ressaltar, também, a ideia de Karl Marx acerca de o Estado gerir apenas os negócios comuns à burguesia, uma vez que, enquanto pessoas passam necessidades hídricas no Sertão nordestino, grandes fazendeiros, apoiados pela Bancada Ruralista, concentram terras em bacias hidrográficas, como Meio Norte e Zona da Mata. Além disso, a fragilidade das punições existentes no Código Florestal corrobora para que ocorram queimadas por todo o país e, por consequência, a seca das massas de ar que levam chuvas a todo o país, sobretudo à Zona Intertropical. Essa situação contribui para a estiagem extrema dos rios e seus afluentes.
Diante disso, torna-se evidente o descompasso entre Estado e sociedade na resolução dos erros existentes. Cabe, portanto, ao Ministério Público a criação de campanhas de incentivos fiscais às fábricas em regiões de menor concentração industrial, a fim de que haja distribuição da produção e das exigências hídricas; e ao INCRA(Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) a implementação da obrigatoriedade da redistribuição de terras em áreas de mananciais, com o objetivo de a população carente de água obter o acesso. Assim, o país caminhará para um equilíbrio ambiental e social.