Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 05/10/2019
Em sua obra “O Quinze”, a escritora modernista Rachel de Queiroz, retrata a grande seca que assolou o Nordeste em 1915, episódio que determinou a migração de muitas famílias para outras partes do Brasil em busca de sobrevivência. Fora da ficção, o cenário se repete e a escassez hídrica se tornou um revés atemporal que aflige toda a sociedade na medida em que a demanda e o consumo crescem continuamente. Não obstante, observa-se que o uso indiscriminado da água tem sido responsável pela formação de cenários críticos e cada vez mais frequentes no século XXI.
Em primeiro lugar, é perceptível uma deficiência no que se refere à gestão hídrica no país, já que o mesmo é um dos maiores detentores do recurso e, ainda assim, enfrenta diversos problemas para sua obtenção. Consoante ao pensamento de Aristóteles, o Brasil se configura como uma potência, visto que possui uma capacidade hídrica que possibilitaria uma distribuição igualitária. Todavia, a falta de mecanismos administrativos é responsável por dificultar a obtenção de um rendimento integral. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a cada 100 domicílios brasileiros, 45 não possuem acesso à rede de água. Por conseguinte, a falta do recurso afeta não somente atividades corriqueiras, mas também a indústria alimentícia e hidrelétrica, o saneamento básico e outros setores. Outrossim, é preciso reconhecer que a escassez de água é agravada pela falta de manejo e uso sustentável dos recursos naturais. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) revelam que 70% de toda a água consumida no mundo é utilizada na irrigação de lavouras, com a atividade industrial e o uso doméstico somando os 30% restantes. Ressalta-se, ainda, que a alta dependência na geração de eletricidade, por parte das usinas hidrelétricas, revela a fragilidade da esfera energética. Dessa forma, percebe-se que a conscientização sobre a utilização desse recurso precisa alcançar não somente as casas e os comércios, mas de todos os setores econômicos.
Portanto, é mister a adoção de políticas delineadas pelo princípio da responsabilidade compartilhada a fim de atenuar a conjectura exposta. Destarte, cabe ao Ministério da Agricultura a fiscalização do setor agrícola, por intermédio de profissionais capacitados e elegidos pelo governo. A medida deverá contemplar a análise da rentabilidade hídrica e, quando necessário, fornecimento de subsídios para a compra de tecnologias que favoreçam o avanço social e ecológico como vislumbrado em países do Oriente Médio. Somado a isto, é dever do Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o Ministério da Educação, a conscientização da população, por meio de palestras e propagandas. Espera-se, com isto, a promoção de comportamentos sustentáveis e, assim, a consequente reversão do cenário exposto por Rachel de Queiroz.