Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 08/10/2019

Numa sociedade vetusta, desde o início do século XVI, com a chegada oficial da colonização portuguesa ao Brasil, cultiva-se a ideia de que os recursos naturais são infinitos. Nesse contexto, a carta descritiva de Pero Vaz de Caminha acerca das Américas afirma que as “águas são muitas; infindas”. Persistindo atemporalmente, nota-se que em virtude de valores históricos, a crise hídrica é uma problemática hodierna. Logo, entre os fatores que contribuem para solidificar este quadro destacam-se: a letargia socio-estatal acerca do uso sustentável dos recursos fluviais bem como as consequências da escassez.

A priori, é evidente a influência histórica e capitalista na formação de um corpo social que prioriza a maior produtividade em detrimento do consumo exacerbado de água. Nesse viés, o filme consagrado com o Oscar, Mad Max, retrata um futuro distópico no qual a ausência de práticas ecológicas afetaram diretamente os recursos hídricos e a quantidade apropriada para o consumo. Por conseguinte, as poucas fontes de água potável existentes são monopolizadas e grande parte populacional sofre com a sua falta, num cenário de caos social e guerra entre os indivíduos. Fora do meio cinematográfico, percebe-se que a inconsciência ambiental é uma das principais causas da crise hídrica já que o uso compulsivo das reservas de água é uma vertente contemporânea.

Sob outro ângulo, a má distribuição e disponibilidade de água afeta na qualidade de vida da população mundial. Nesse viés, segunda o OMS (Organização Mundial da Saúde) apenas 33% dos países tem água relativamente suficiente, uma vez que são necessários entre 50 à 100 litros por dia para uma pessoa viver de forma digna. No entanto, em países subdesenvolvidos, uma pessoa chega a usar apenas 5 litros diários. Com base nisso, após 500 anos da carta de Caminha, a música Passarinhos do Emicida contraria o pensamento exposto pelo lusíada, pois afirma em um verso “água em escassez bem na nossa vez”, ressaltando a limitação das fontes fluviais e sustentabilidade.

Dessarte, frente a provectos fatores de uso e manuseio equivocado, a escassez de água é uma problemática social em voga. Portanto, o Ministério do Meio Ambiente, como instância máxima dos aspectos ambientais brasileiros, deve adotar estratégias acerca do consumo excessivo e desperdício dos recursos hídricos. Essa ação pode ser feita por meio de palestras e simpósios que alertem sobre as consequências da falta de práticas ecologicamente corretas. Além disso, é necessário impôr leis mais específicas sobre o desperdício e multar as pessoas e indústrias que ultrapassarem os limites. Ademais, o acesso à água deve ser facilitado para que em regiões afastadas -principalmente às com estiagem e seca- as pessoas consigam uma boa qualidade de vida.