Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 10/10/2019
No livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, é retratado a trajetória de uma família nordestina na fuga da seca e miséria do sertão. Fora da ficção, pode-se perceber uma aproximação severa com a realidade, já que esse panorama é vivenciado por diversas pessoas do Brasil e do mundo. Logo, cabe analisar os impactos da escassez de água no século XXI, que está relacionado à visão não sustentável das empresas, assim como a ingerência estatal para promover a distribuição igualitária desse bem.
Diante desse contexto, vê-se que a utilização intensa de água pelo setor industrial agrava a problemática. De acordo com as atitudes capitalistas, o modo predatório de retirar os recursos naturais do meio ambiente é rotineiro – visando os altos lucros–, apesar de causarem desequilíbrios nos ecossistemas. Um exemplo de tais ações é o desmatamento da Floresta Amazônica brasileira, responsável pelo fluxo de rios voadores, ou seja, grandes massas de ar úmidas. Assim, consequentemente, pôde-se perceber um desequilíbrio do ciclo hídrico do país, já que São Paulo, entre 2014 e 2016, passou por uma grande crise de falta de água, que alterou o cotidiano da população por terem que racionar esse recurso. Entretanto, a rotina empresarial do desmatamento e uso do resto de água, que deveria ser direcionado às pessoas, permaneceu. Dessa maneira, é perceptível que, apesar do senso comum indagar que o mais importante é fechar a torneira ao escovar os dentes, a realidade não funciona desse modo, visto que as indústrias são as que mais consomem esse recurso.
Ademais, a falta de políticas públicas visando o bem da população nordestina, que sofre com a crise hídrica, ajudam na permanência de casos como a família retratada em “Vidas Secas”. Do ponto de vista geográfico, a posição da região nordeste é desfavorável à formação de chuvas, com isso, apenas com a ajuda estatal ou privada, a população do sertão teria acesso à água. Contudo, é evidente que muitos se aproveitam de tal situação problemática para tirar proveito, prometendo que irão melhorar as condições de vida daquela população caso houver isenção de impostos, concessão de empréstimos e, na prática, pouco muda. Desse modo, é notório que tal capital é desviado, ao invés de confeccionarem açudes e poços, aumentando o desamparo da população.
Destarte,faz-se mister medidas para mitigar os impactos da escassez de água. Assim, cabe ao Ministério do meio ambiente, promover, por meio de reforços em medidas sustentáveis, a fiscalização periódica de empresas, com a criação de um canal de denúncias anônimo, com o intuito de que, caso haja irregularidades no uso da água, como o desperdício, seja avisado às autoridades para tomarem providencias, além de reforçar a ideia de que a água, primeiro, deve servir para atender as pessoas. Tudo isso, para que a sociedade tenha acesso a esse recurso essencial à vida.