Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 21/10/2019
Na antiga Grécia, o filósofo e matemático Tales de Mileto, defendeu a ideia de que a água era o princípio fundamental das coisas. Já no contexto atual, Marussia Whately-especialista em gestão de recursos hídricos, declara que “o século 21 tende a ser o século da escassez de água”. Evidencia-se, portanto, que o uso indiscriminado desse solvente universal e o descaso político com o saneamento básico contribuem para o alastramento dessa insuficiência hídrica.
A princípio, a indústria é uma das vilas no desperdício de água, agravando, também, os impactos em outros setores da economia. Conforme um estudo da Agência Nacional das Águas (ANA), o sistema industrial situa-se em 3° lugar quanto ao uso de água no Brasil. Essas indústrias, por sua vez, visando os lucros comerciais do sistema capitalista de produção, negligenciam suas ações e políticas de cuidados e utilização racional de um direito universal inquestionável: a água. Ademais, tal uso indiscriminado pode diminuir o recurso direcionado aos outros setores da economia como, por exemplo, à agricultura, sendo capaz de provocar uma alta nos preços dos alimentos e incitar, consequentemente, a insegurança alimentar de uma parcela da população. Diante de tal situação, é inaceitável que medidas mais eficazes ainda não tenham sido tomadas.
Em segundo plano, a escassez hídrica também é resultado da falta de investimento em saneamento básico. A Constituição de 1988 garante, por meio da Lei n° 11.445/2007, o direito a um sistema sanitário eficiente, porém, percebe-se que os modelos de governanças deixam a desejar nesse quesito, principalmente, nos grandes centros urbanos, onde as pessoas são mais vulneráveis e dependentes dos serviços de abastecimento de água e esgoto. Em vista disso, por não haver estações de tratamento de esgoto aptas e competentes, com que boa parte dessa água suja, advinda de residências e, em alguns casos, até de hospitais, desague em locais inapropriados causando danos ao meio ambiente e à população, como poluição e doenças.
Tendo em vista os aspectos observados, é mister que se desenvolvam propostas para mitigar os danos que podem ser causados pela escassez de água. Cabe, portanto, ao poder Legislativo, desenvolver uma lei que exija das indústrias um plano eficiente de reutilização da água que utilizam para outros fins que não necessite, necessariamente, de água potável e, além disso, compete ao Governo Federal juntamente com os Ministérios do Meio Ambiente e da Saúde, a construção de sistemas de saneamento básico eficientes e capazes de atender a demanda na prestação de serviços. Para que, assim, a previsão de Marussia Whately não se concretize ou, ao menos, possua menos impactos.