Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 23/10/2019

No filme “O Livro de Eli”, é apresentado um futuro distópico em que a população vive constantes climas de tensão devido a intensa disputa por água. Fora da ficção, a realidade não é tão distante, pois, no século XXI, a escassez de recursos hídricos tem tomado níveis alarmantes no mundo. Contudo, embora o Brasil, em geral, tenha esse recurso em abundância é preciso se atentar para as futuras crises de falta de água, pois algumas cidades já apresentam quedas em sua distribuição. Nesse aspecto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da falta de consciência sustentável e da baixa atuação governamental.

Primeiramente, é importante destacar que a falta de sustentabilidade hídrica encontra terras férteis no individualismo. Nesse contexto, Segundo Zigmunt Bauman, a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo egocentrismo, pois as pessoas vivem em um mundo dominado por relações e ações superficiais, que acabam por desprezar os impactos e consequências futuras de suas atitudes. Com isso, vê-se que grande parte dos indivíduos não se preocupam em estabelecer um estilo de vida voltado a preservar os recursos limitados do planeta - em especial a água potável. Dessa forma, é indubitável que medidas devem ser tomadas a fim de estimular os brasileiros a adotarem uma consciência mais sustentável, bem como abandonar os velhos maus hábitos de desperdício.

Além disso, é necessário pontuar que a crise no abastecimento de água deriva, ainda, da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Nessa esteira, o famoso filósofo do século XVII, Thomas Hobbes, dizia que, o Estado é o principal responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, o que se vê é a situação de descaso com algumas cidades brasileiras. Isso se torna mais claro, por exemplo, ao  observar o atraso  nas obras de transposição do rio São Francisco, projeto que beneficiaria cerca de 700 quilômetros em direção ao semiárido nordestino. Portanto, faz-se imprescindível a dissolução dessa conjuntura.

Destarte, medidas exequíveis são necessárias para solucionar essa problemática. Para tanto, com a finalidade de trazer a público a questão da escassez hídrica no país, no intuito de conscientizar  a população em prol de um futuro mais sustentável, urge que o Governo federal junto com o Ministério da Educação e Cultura(MEC) crie, por meio de impostos arrecadados, um intenso projeto pedagógico nas escolas brasileiras - com a elaboração de trabalhos acadêmicos e com a realização de palestras de cunho coercitivo sobre um modelo de vida com menos desperdícios, que contem com a participação de pais e professores. Nesse sentido, o aprendizado deve ultrapassar os muros das instituições escolares, de modo a auxiliar na formação de cidadãos conscientes e atentos à preservação da água.