Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 22/10/2019
“Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá, as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”. Esse trecho da canção do exílio, de Gonçalves Dias, demonstra a maneira pela qual os escritores indianistas declaravam o amor pela pátria e suas belezas. Contudo, no cenário brasileiro atual, observa-se justamente o contrário no que diz repeito à escassez da água. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas: o sistema capitalista e a negligência do poder público.
Convém ressaltar, a princípio, que o capitalismo é um fator determinante para a persistência do problema. De acordo com o economista brasileiro Hugo Penteado, a busca excessiva pelo lucro está cegando as grandes empresas quanto aos impactos negativos que elas causam ao meio ambiente. Nesse viés, o raciocínio exposto torna-se claro ao analisar os dados divulgados pela SABESP, os quais demonstram, que o número porcentual da reserva de água no sistema Cantareira reduziu quase 100% nos últimos cinco anos. Dessa forma, a natureza, aos olhos de grandes empresários, é vista como um meio de expansão de suas atividades, e consequentemente, do lucro dos mesmos.
Outrossim, a negligência do poder público ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. Segundo Aristóteles, a função da política é garantir o equilíbrio na sociedade por meio da justiça. Entretanto, a incipiência de fiscalizações, em áreas florestais, por parte do governo, vai de encontro ao pensamento aristotélico. Isso ocorre porque, as fiscalizações são cada vez mais ineficientes, consequentemente, não há a devida punição aos transgressores, e a prática continua a crescer. Dessa maneira, vê-se que a omissão dos governantes perante à esse quadro é alarmante, pois passa um sentimento de segurança àqueles que deveriam ser punidos por praticar atos ilícitos contra a natureza.
Torna-se evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Para isso, cabe ao Governo, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, elaborar leis e punições mais severas. Estas devem ocorrer por meio de um debate entre o Poder Legislativo e Judiciário. Essa ação será feita com intuito de diminuir a crise hídrica no Brasil. Ademais, é mister que os governantes aumentem a fiscalização nos rios, por meio de parcerias com as forças armadas e bombeiros, para que assim, as punições sejam devidamente aplicadas. Em suma, o sentimento ufanista, exposto nas obras de Gonçalves Dias, pela natureza será retornado.