Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 24/10/2019

A animação norte-americana “História das Coisas” relata o ritmo de produção estadunidense dos anos 2000, o qual utiliza, de maneira descontrolada, os recursos naturais para a fabricação de objetos. Nesse sentido, a narrativa foca na exploração irracional de mananciais hídricos feita pelo setor industrial e expõe os impactos que essa prática tem provocado no país, tais como: ausência de água potável e destruição de áreas cultiváveis. Fora da ficção, esse cenário de escassez hídrica também está presente no cotidiano brasileiro e tornou-se um sério problema, visto que – seja pelo individualismo do agronegócio, ora pela ineficiência estatal – compromete o equilíbrio social e ambiental do país.

A princípio, cabe analisar o egoísmo do agronegócio sob a visão do filósofo alemão Hans Jonas. Segundo o autor, o homem deve preocupar-se com os efeitos coletivos de suas ações e não apenas em consequências individuais. Analogamente, a produção rural contradiz esse pensamento ao visar somente seu contexto individual de lucratividade – o qual torna-se negligente em técnicas agrícolas que exploram controladamente rios e lagos, além de ignorar a despoluição de mananciais hídricos para reduzir despesas agrárias. Por consequência, a ausência desse recurso natural tende a crescer pelo país, o que prejudica o abastecimento de água em reservatórios regionais e possibilita a criação de um caos urbano.

Ademais, além do agronegócio, o papel ineficiente do governo também corrobora na problemática e convém ser contestado sob a perspectiva do filósofo inglês John Locke. Segundo o autor, a sociedade, em seu estado de natureza, possui o direito à vida, à saúde e à liberdade, que devem ser preservados pelo governo. Dessa forma, o atual poder público contrapõe essa ideologia ao promover poucas políticas coletivas voltadas para a segurança hídrica, as quais, frequentemente, permitem a atuação de empresas que não objetivam o reaproveitamento e consumo consciente da água nos serviços industriais. Logo, observa-se a escassez desse recurso nos ecossistemas brasileiros, uma vez que, segundo o Portal de Notícias G1, para a fabricação de 1 quilograma de carne são utilizados 15 mil litros de água.

Diante disso, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Para isso, o Ministério do Meio Ambiente, por meio de verbas públicas, deve difundir esse assunto nas áreas agrícolas, de modo a orientar os trabalhadores rurais sobre práticas lucrativas de plantio e colheita, mas que também sejam ecologicamente preservacionistas, como a técnica de gotejamento. Dessa forma, será possível manter o equilíbrio socioambiental e diminuir a escassez de água pelo Brasil. Além disso, o governo, por meio de taxações tributárias, deve aumentar os impostos sobre o lucro de empresas que não visam a reutilização e exploração moderada dos recursos hídricos, a fim de estimular ações sustentáveis e inibir que a natureza seja aproveitada inadequadamente, assim como ocorreu na animação “História das Coisas”.