Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 31/10/2019

O livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, retrata a vida miserável de uma família de retirantes sertanejos obrigada a se deslocar de tempos em tempos para áreas menos castigadas pela seca e a desumanização que ela promovia nos personagens, cuja expressão verbal é tão estéril quanto o solo da região. Tal como na obra, atualmente, há desvalorização da água e seu uso excessivo, vem causando sua escassez mundialmente, uma vez que a falta conscientização e bom senso da população reflete, a longo prazo, no seu abastecimento.

Em primeira análise, segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) menos de 1% de toda água existente no planeta Terra é apropriada para consumo humano. Dessa forma, o uso inconsciente e o desperdício por parte da população, com práticas simples como torneira mal fechada e banho demasiadamente demorado, são fatores fundamentais para o surgimento de uma possível crise hídrica. Um exemplo disso, foi o caso registrado do estado de São Paulo no período de 2014 à 2016, quando as ofertas de água na região atingiram níveis preocupantes. Diante do episódio, várias mudanças relativas quanto ao seu uso, como o racionamento, precisaram ser tomadas para a instabilidade ser vencida. Logo, o mal uso e a falta de interesse na valorização desse recurso natural, poderá causar sua ausência em um futuro não tão distante.

A posteriori, os impactos do desperdício da água são graves e traduzem-se na redução do seu abastecimento, que segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), sua escassez já afetou 40% da população mundial. A água possui um ciclo de renovação através do processo de evaporação dos mares, rios e lagos, entretanto, este recurso natural está se esgotando. O principal problema está associado à relação entre o tempo necessário para a conclusão desta etapa e o ritmo de exploração populacional, que de acordo com o Conselho Mundial da Água, estima-se que o consumo pelo homem aumentará 40% em duas décadas, que afetará drasticamente no seu reabastecimento. Desse modo, faz-se necessário uma reeducação quanto ao seu uso e importância para reduzir essa problemática.

Portanto, urge que o Governo em parceria com o sistema midiático, promova o consumo consciente da água por parte da população, por meio de campanhas publicitárias e merchandising social em filmes, novelas e rádios, que alertem as pessoas sobre as consequências do desperdício de água e os caminhos para sua preservação, a fim de minimizar os efeitos negativos causados pela iminência de uma crise hídrica e promover interação social acerca do cuidado com o maior bem natural do planeta.