Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 29/10/2019
Na série televisiva “Terra Nova”, é retratado um futuro distópico em que a humanidade, ao esgotar os recursos naturais, leva a Terra ao colapso total. Fora da ficção, o cenário do século XXI converge para o mesmo caos: a ação antrópica tem levado o planeta à escassez de água. Tal fato gera impactos negativos na sociedade contemporânea, os quais são evidenciados pelo destrato aos direitos humanos e pela potencial crise do mercado financeiro globalizado.
Em primeiro lugar, é necessário apontar que, segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), o acesso à água limpa é um direito inerente ao ser humano. Essa premissa, no entanto, não é efetivada na realidade, haja vista que a escassez de água impede que todos possam gozar desse direito. Isso ocorre devido ao fato dos recursos não serem distribuídos de maneira uniforme, uma vez que alguns países possuem maiores reservas hídricas e melhores condições de distribuir aos cidadãos. Logo, é substancial que mecanismos sejam desenvolvidos para garantir o exercício desse direito à população mundial.
Outrossim, vale ressaltar que a escassez da água impacta diretamente no mercado financeiro contemporâneo. Isso porque, para a produção de qualquer produto, seja industrial ou agrícola, é necessário o uso da água direta ou indiretamente. Esse uso é chamado na geografia de “água virtual” e tem sido um fator crucial no estabelecimento de relações internacionais. Tal cenário explica, por exemplo, o fato do Brasil ser um grande exportador de commodities para a China, haja vista que possui a maior reserva de água continental líquida do mundo. Diante disso, caso o uso da água seja comprometido, as relações internacionais também ficarão em xeque, uma vez que as importações e exportações poderão ser impedidas ou dificultadas.
Depreende-se, portanto, a necessidade de mitigar a escassez da água, a fim de evitar esses impactos. Para tanto, cabe à Organização das Nações Unidas (ONU), por meio de incentivos e benefícios na geopolítica internacional, solicitar aos países com maior reserva de água que auxiliem os menos favorecidos, a fim de efetivar a água como um recurso mundial a ser compartilhado e não concentrado. Tal medida possibilitará que todos gozem o direito do acesso à água e que a sua participação na produção do mercado não culmine em nenhum desequilíbrio. Desse modo, haverá uma boa administração hídrica e será possível evitar o futuro distópico retratado em “Terra Nova”.