Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 01/03/2020

Em 2010,a ONU reconheceu o acesso à água como um direito humano universal.Entretanto,episódios lamentáveis como a diminuição do Sistema Cantareira em 2014-reservatório responsável pelo abastecimento de água da Grande São Paulo e símbolo da escassez hídrica paulista-,comprovam que a falta de água é uma realidade no século XXI e fragilizam o reconhecimento das Nações Unidas.Tal situação provém do uso excessivo desse recurso na indústria-devido ao crescente consumismo-,além de seu desperdício na agricultura.Desse modo,é preciso analisar os impactos da escassez de água e garantir medidas que permitam a concretização do direito reconhecido pela ONU.

É válido ressaltar,a princípio,que o Brasil possui um amplo parque industrial.Nessa perspectiva,a demanda hídrica dessa categoria é influenciada pelo consumismo,uma vez que um maior consumo exige uma maior atividade fabril e,consequentemente,um maior uso de água.Nesse sentido,de acordo com o sociólogo Zigmunt Bauman,o ser humano atual transformou-se de cidadão político a consumidor de mercado.Dessa forma,esse problemático panorama defendido por Bauman,acarreta maior captação de água de lençóis freáticos e de rios para ser usada na produção industrial,o que contribui para a diminuição da disponibilidade desse líquido em outros setores,como o residencial.Logo,é necessário tornar o modelo produtivo mais sustentável,para minimizar os impactos da escassez hídrica.

Em consonância a isso,é importante destacar o papel da agricultura como contribuinte à falta de água.Nesse viés,essa atividade demanda um vultoso consumo desse recurso,utilizado,em grande parte,para irrigar a produtividade.Todavia,muitas vezes,os agricultores não possuem plantações com uma infraestrutura adequada.Como consequência,uma quantidade significativa de água é desperdiçada na irrigação,por exemplo,pela evaporação.Assim,há cada vez mais necessidade de captação desse bem precioso para suprir a produção.Esse cenário contribui para a escassez de água,o que impacta diretamente a economia,na medida em que a crise hídrica afeta setores baseados no uso da água,como o próprio agronegócio,responsável,de acordo com o IBGE,por 30% do PIB do Brasil.                Cabe,portanto,ao Governo Federal incentivar o uso da água de reuso.Isso deve ser feito por meio de parcerias público-privadas com isenção fiscal para empresas-do setor industrial ou agrícola-que priorizem obras de infraestrutura para a utilização da água de reuso-água proveniente da indústria e do esgoto doméstico,imprópria para o consumo humano mas que é tratada e utilizada em equipamentos industriais e na agricultura para a irrigação.Essa ação terá o intuito de reduzir a captação desse recurso na natureza e aumentar a sua disponibilidade,o que minimizará a possibilidade da escassez hídrica,como em SP,e seus impactos,sobretudo na economia,além de assegurar a meta da ONU.