Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 14/04/2020
Na esfera da filosofia, considera-se Tales de Mileto como o primeiro pensador dessa ciência, quem é consagrado em virtude de seus estudos ontológicos, ou seja, que buscavam entender o universo. Neles, preconizara que a “arkhé”, isto é, o elemento primordial do mundo, era a água, caracterizando-a como a força motriz da vida. No entanto, nos dias de hoje, embora seja notório que Tales estava, de certa forma, correto sobre o papel fulcral desse composto, os indivíduos beiram um entrave nefasto: a escassez de água. Dessarte, esse tema toma espaço em razão da falta de ética popular, a qual promoverá problemas ainda maiores no prisma ambiental.
De início, é lícito afirmar que, conquanto a moral seja consoante à preservação da água, o comportamento das pessoas, geralmente, não é. Em suma, o “código de conduta” - a moral - inerente à sociedade, no século XXI, dialoga com a necessidade de preservar a “arkhé” de Tales, todavia, decorrente de um pensamento individualista, a prática desse “código” - a ética - diverge da moral, o que acentua a escassez d’água. Nesse contexto, uma das ideias existencialistas do filósofo Jean-Paul-Sartre é posta em voga: “o inferno são os outros”, em outras palavras, Sartre, mediante essa frase, prega que as pessoas outorgam, sempre que possível, o ônus dos problemas às demais, de modo a se isentarem das responsabilidades. Logo, infelizmente, caso a população perdure essa “batata quente” sartriana no que concerne à preservação da água, a escassez será incontestável.
Por conseguinte, a falta desse recurso, sob um viés ambientalista, conduzirá a população a consequências fatais. Evidência disso é a pesquisa “Brasil 2050”, do IBGE com ex-alunos do ITA, na qual se apontou que, caso a ética dos brasileiros não mude até o ano 2050, observar-se-á que as pessoas das regiões Norte e Nordeste estarão fadadas a abandonar suas terras, senão, sofrerão pela falta de condições ao plantio, pelos altos índices de doenças (causadas pela desidratação constante) e pela falta de água. Nesse sentido, tal panorama se extenderá ao âmbito global, tornando ímpar dissolvê-lo.
Portanto, infere-se que, visto a intempestividade da problemática, é urgente reverter o comportamento tortuoso dos indivíduos, objetivando eliminar os impactos da escassez desse composto. Para tanto, compete à sociedade, enquanto unidade que permite o funcionalismo global, divulgar campanhas, por meio das redes sociais, as quais evidenciem a dissonância entre teoria e prática no contexto da preservação da água a fim de refutar o “Brasil 2050” em uma perspectiva global. Somente assim, notar-se-iam indivíduos que confrontam Sartre e que confirmam os acertos de Tales de Mileto sem ter que enfrentar a escassez de sua força motriz.