Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 22/05/2020

Desde a década de 1990, o neoliberalismo e a globalização se desenvolveram significativamente, estabelecendo, consequentemente, uma sociedade de consumo e o crescimento de cidades sem infraestrutura. Dessa forma, tornou-se comum práticas que influenciam diretamente na escassez da água, como o desmatamento - que gera lucro para indústrias - e a falta de investimento em saneamento básico para a população. Tais hábitos, que influenciam diretamente na escassez dos recursos hídricos, causam impactos negativos nos âmbitos ambientais e sociais.

Em primeira análise, o desmatamento tem se tornado descontrolado devido à exploração das indústrias, já que fornece commodities para suas produções. Entretanto, segundo o programa Instituto Sociedade, População e Natureza, a prática acelerada do desflorestamento no Cerrado impacta tanto na frequência de chuvas, que diminuiu consideravelmente, quanto na capacidade do solo de absorver e armazenar água - cuja função é devolver para os rios. Embora o bioma citado tenha importante contribuição para as bacias hidrográficas do Brasil, o Estado não fornece políticas públicas adequadas que protejam o meio ambiente, levando à aceleração da escassez da água.

Além disso, a falta de investimento em saneamento básico é um fator fundamental que leva à escassez hídrica, uma vez que ocorre a redução de água potável disponível. Por consequência, tal fato é agravado devido ao processo de macrocefalia urbana que, de acordo com a Geografia, é um fenômeno de crescimento desordenado das cidades sem infraestrutura. Visualiza-se, no Brasil, tal processo nos centros urbanos, onde parte da população cresce sem acesso à água tratada. Ou seja, conquanto o saneamento básico seja um direito assegurado pela Constituição Federal do país, ainda há pessoas sem acesso digno a tal direito, em decorrência da falta de investimentos do governo.

Dessarte, é imprescindível que medidas sejam fundamentadas para reverter os impactos negativos nos âmbitos ambientais e sociais, causados por práticas que levam à escassez da água. Cabe, então, ao Ministério da Educação educar a população, por intermédio de palestras, sobre a importância da conservação do meio ambiente, para que formem empresários conscientes, disponibilizando políticas que defendam a sustentabilidade. Ademais, cabe ao Estado democratizar o acesso à água, por meio de investimentos e políticas públicas, para que toda a população consiga obter água tratada, respeitando os Direitos Humanos e a Constituição Federal.