Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 24/05/2020
“Águas que movem moinhos, são as mesmas águas, que encharcam o chão e sempre voltam humildes pro fundo da terra. Terra! Planeta Água”. A música do cantor Guilherme Arantes descreve o ciclo da água e a abundância desse recurso no planeta. Por outro lado, apenas 2% da água disponível é doce e pode ser utilizada no consumo, sendo que o Brasil apresenta a maior porcentagem, segundo a Agência Nacional das Águas, mas diversas regiões sofrem com seu desprovimento devido à poluição, mudanças climáticas e ausência de infraestrutura. Logo, é necessário analisar como o desperdício de muitos indivíduos e a inoperância governamental comprometem a abundância desse bem essencial. Em primeiro lugar, a má distribuição de água doce compromete a qualidade de vida dos cidadãos. Na obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, pode –se observar essa irregularidade, na qual o autor retrata a vida miserável de uma família nordestina obrigada a se deslocar para áreas menos castigadas pela seca. Apesar de muitas pessoas acreditarem que esse problema está restrito à região Nordeste, a crise hídrica, de 2014 no sudeste, desconstruiu essa concepção, uma vez que a má gestão particular pode também comprometer a oferta de água em zonas com chuvas regulares. Desse modo, deixar a torneira aberta e lavar a calçada com mangueiras são práticas que diminuem sua abundância e contribuem com sua escassez. Logo, a irresponsabilidade individual pode alterar o ciclo hidrológico.
Em segunda análise, as poucas políticas governamentais estagna a preservação da água bem como a saúde da população. Cerca de 35 milhões de brasileiros não possuem abastecimento de água tratada e quase 100 milhões não tem coleta de esgoto. Isso ocorre, pois a escassez de projetos políticos para que haja a coleta e o tratamento dos recursos hídricos acometem a saúde da população, uma vez que o consumo de água não tratada possibilita a veiculação de doenças feco-oral como hepatite A e leptospirose aumentando os gastos com hospitais. Nessa perspectiva, os poucos projetos governamentais autorizam a permanência de mazelas que comprometem a expectativa de vida.
Portanto, falta de economia individual e a permanência de projetos políticos que não priorizam o saneamento básico contribuem com a escassez de água. Nessa perspectiva, diminuir o desperdício dos cidadãos, o Ministério de Meio Ambiente em parceria com ONGs, que atual nesse setor, devem veicular nas mídias sociais e na televisão campanhas publicitarias que orientem sobre as medidas que ajudam na moderação dos gastos de água, a fim de diminuir desperdícios e também evitar racionamento como o de 2014. É importante também, que os prefeitos aprovem no orçamento anual obras que incentivam o tratamento do esgoto, a fim de que ele seja implantado em todo o território. Com essas medidas, será possível preservar a vitalidade e acabar com enredos semelhantes ao de Vidas Secas.