Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 30/05/2020
A Constituição Federal, em seu artigo 225, garante aos cidadão o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e preservado, incluindo a fauna, flora e lençóis freáticos. Entretanto, esse documento vem sendo ferido e a água, fundamental para manutenção da vida, é escassa à população. Assim, tal problemática é impulsionada ora pela má distribuição dos recursos hídricos no país, onde obras sofrem com a corrupção e se transforma em verdadeiros ralos de dinheiro, ora por negligência por parte dos cidadãos, onde se acredita na inescassez dessa riqueza.
A princípio, é válido salientar que, de acordo com a biologia, a água é um solvente biológico universal, sendo essencial para sobrevivência da vida na Terra. Contudo, tal recurso não chega à comunidade por vários motivos, dentre eles, a corrupção que sofre os esquemas de transposição, como a do rio São Francisco. Tal construção, se concluída, abasteceria mais de 12 milhões de pessoas, mas, pelo contrário, transporta dinheiro público para empresas privadas e fundo de campanha eleitoral, e sofre com superfaturamento de máquinas e propinas, que enche os bolsos dos empresários. Segundo jornal G1, foram presos suspeitos de criar empresas para desviar mais de 200 milhões da obra, mostrando que, quando a corrupção é regra, o bem estar público é exceção.
Outrossim, outro fator que contribui para a escassez da riqueza supracitada é a negligência das pessoas. Parafraseando à teoria de banalização do mal, da filósofa Hannah Arendt, a sociedade trivializa a preservação dos recursos hídricos, gastando-os de diversas formas, e, mesmo com exemplos, como a seca dos reservatórios que atingiu estado de São Paulo em 2014, acredita ser inesgotável. O filme Rango, de 2011, mostra a dificuldade que os habitantes da cidade passam devido a limitação de fontes hídricas, enquanto bem próximo há uma cidade utópica que a desperdiça frequentemente.
De acordo com o Aldous Huxley “os fatos não são solucionados a porque são ignorados”. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, criar uma disciplina na Base Comum Curricular, que aborde sobre a água, sua fundamental importância e as consequências de sua falta, a fim de instruir sobre a preservação e cuidados com ela. Do mesmo modo, a Polícia Federal deve intensificar ações de combate à corrupção na obra de transposição do rio São Francisco, com o fito de concluí-la e, por fim, sanar as necessidades da população mais carente. E assim, com medidas graduais e progressivas, sanar à crise hídrica no país e fazer valer à Carta Magna de 1988.