Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 07/07/2020

Para o filósofo John Locke, existem direitos que são inalienáveis para a dignidade da vida humana. Partindo desse pensamento, compreende-se que a água é uma dessas necessidades inegociáveis, mas o difícil acesso a esse recurso, vivido por muitos brasileiros, é uma grave problemática. Nesse contexto, cabe avaliar como a falta de investimentos públicos e a fraca cobrança da sociedade contribuem para tal questão.

É fato que o poder público é o responsável por fazer os abundantes recursos hídricos do Brasil chegarem a todos. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado deve organizar as relações na sociedade, de modo a garantir o bem-estar da população. Nesse viés, a solução do problema em questão necessita de obras que dependem de grandes montantes financeiros, mas os governantes brasileiros preferem investir em áreas que trazem lucros em curto prazo, como o agronegócio e alguns setores industriais. Como resultado, uma parcela da população não possui acesso à água, o que dificulta, por exemplo, hábitos de higiene, que previnem contra doenças que ainda são realidade no país.

Além disso, é imperativo ressaltar a fraca organização da sociedade para reclamar por esse direito. De acordo com os pensadores Karl Marx e Michael Foucault, a classe oprimida deve agir politicamente, e unida, para garantir o respeito aos seus direitos. A partir desse ponto de vista, compreende-se que a sociedade deve cobrar, com mais veemência, por um programa amplo para dar acesso a água para todos. Atualmente, o que há são apenas ações pontuais, feitas por políticos isolados, por meio das emendas parlamentares, e, frequentemente, com objetivos eleitorais. Consequentemente, não há a execução de uma ampla política que resolva a questão.

Portanto, é necessário que o problema do difícil acesso à água seja enfrentado. Dessa forma, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Regional a ação de coordenar um amplo programa de distribuição hídrica, com a construção de grandes tubulações para áreas que não possuem o recurso, por meio de Lei Orçamentária, com a finalidade de viabilizar montantes financeiros para sanar a questão. Outrossim, as Assembleias Legislativas de cada Estado devem eleger comissões, com participação popular, para fiscalizar e contribuir para o alocamento de verbas de forma eficiente. Assim, todos os brasileiros terão acesso a esse recurso básico, um direito inegociável, semelhante ao que pensava John Locke.