Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 08/08/2020

Na música “Asa Branca” de Luiz Gonzaga é retratada as emoções do autor em relação aos cenários precários oriundos da falta d’água no sertão. Tal obra musical, célebre no Brasil, converge substancialmente da realidade contemporânea, uma vez que os impactos da escassez desse líquido vital aos seres vivos provoque inúmeros impasses à sociedade. Assim, faz-se profícuo observar a má distribuição da água e o consumo exacerbado como pilares fundamentais da problemática.

Deve-se compreender, inicialmente, que a repartição equitativa do recurso hídrico aos cidadãos ainda não fez-se factual. Sob essa perspectiva, vale salientar que mesmo em países traçados por afluentes em toda sua extensão, nota-se o surgimento de  crises hídricas graves. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), relatórios  apontam que cerca de 12% da água doce do planeta está concentrada no Brasil. Entretanto, dado o exposto, analisa-se que disponibilidade não significa acesso infinito, visto que regiões como o Nordeste do país carecem significativamente de água potável, pois a distribuição chega apenas em regiões de elevadas densidades demográficas, onde a demanda eleva tendenciosamente a cada ano. Dessa forma, é essencial  a alteração desse quadro que vai de  encontro à melhoria no fornecimento do fluido em todo o país.

Ademais, cabe mencionar o descontrole no consumo diário desse “solvente universal”, que limita cada vez mais a  acessibilidade a esse recurso. Isso ocorre, em grande parte, devido ao baixo senso crítico da população, fruto de uma educação consumista, na qual não há estímulo à sustentabilidade. Partindo desse pressuposto, a ferramenta “Pegada Ecológica” da World Wide Fund for Nature (WWF) contabiliza e avalia a pressão do consumo das populações humanas sobre os recursos naturais, afim de verificar se estão dentro da capacidade ecológica do planeta. Evidencia-se, portanto, a imprudência dos membros da própria  sociedade perante ao uso indiscriminado da água ao usufruir de modo exagerado ou fútil.

Logo, para que situações retratadas na canção de Luiz Gonzaga sejam apenas de origem artística, medidas devem ser efetivadas a fim de mitigar os impactos causados pela escassez da água. Desse modo, o Ministério do Meio Ambiente deve promover projetos de construções de poços artesianos e encanações desviadas dos rios para as moradias carentes, com intuito de abastecer tais residências. Além disso, cabe à sociedade efetivar a utilização consciente da água, por intermédio do policiamento acerca do que o cotidiano exige, a fim de  induzir famílias e empresas à adotar métodos de reaproveitamento, como edifícios propriamente adaptados para reutilização do líquido. Dessa forma, garantir-se-á o combate a escassez da água, além de proporcionar um planeta mais equilibrado.