Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 18/08/2020

O romance “O quinze”, de Raquel de Queiroz, aborda a crise hídrica nordestina de 1915, assinalando a dura realidade dos retirantes. Esse cenário, embora ficcional, retrata, em pleno século XXI, a persistente crise do abastecimento de água no Brasil. Diante disso, cabe analisar a má gestão e os fatores ambientais como agravantes da perda de mananciais e as suas consequências.

Em primeiro plano, é preciso entender como um país que detém 12% da água doce mundial vivencia crises de abastecimento. Nesse sentido, vale destacar a má gestão dos corpos d’água, pois segundo a Agência Nacional da Água (ANA), de 100 litros tratados no Brasil, 72 vão para o agronegócio. Dessa forma, nasce um grande desafio, visto que cursos naturais de rios e lagos são desviados para a irrigação e uso intensivo da agropecuária, prejudicando o ciclo da água e causando seca em outras regiões.

Além disso, analisando o contexto de má distribuição de recursos hídricos, é possível perceber inúmeras consequências. Nesse contexto, há impactos socioeconômicos e ambientais, como esvaziamento de cidades, baixa produção agrícola e industrial e desemprego. Ademais, agrava-se o número de pessoas que não têm acesso a esse direito universal e, portanto, à medida que a água não é ofertada, mais a população tenta acessá-la de maneira imprópria, como de poços contaminados. Assim, acarretando, também, em um problema de saúde pública.

Logo, recai sobre o ser humano o compromisso de administrar com mais consciência os mananciais, garantindo o abastecimento público. Para tanto, o governo, junto ao Ministério de Desenvolvimento Regional, deve reformular uma logística de distribuição justa, por meio da fiscalização de fazendeiros, orientando-os na adoção de políticas de manejo racional da água, como na aplicação de novas formas de irrigação. Além disso, o governo precisa tratar esgotos lançados nos rios e incentivar pesquisas relacionadas à dessalinização do mar, objetivando evitar uma futura escassez das fontes hídricas. Somente assim será viável driblar a realidade que muitos viveram, e ainda vivem, na obra modernista “O quinze”.