Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 17/09/2020

O mito da caverna, alegoria escrita por Platão, explica a evolução do processo de conhecimento. Segundo ele, os seres humanos se encontram prisioneiros de uma caverna, em que estão habituados somente a ter uma ilusão do que veem como se fosse a verdadeira realidade. De maneira análoga ao presente, a questão dos impactos da escassez da água pode ser bem representada pelo mito da caverna, visto que esse é um grave problema que vive às sombras da sociedade, em razão da falta de debates sociais, bem como a falta de políticas públicas.

A priori, vale ressaltar que a falta de políticas públicas que operem para a diminuição do impacto hídrico no país é um grande impasse para a diminuição dos impactos. Consoante a esse pensamento, o filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau na sua obra ‘‘Contrato Social’’, afirma que cabe ao Estado viabilizar ações para o bem-estar coletivo. Dessa forma, a partir do momento que o estado se isenta do seu papel e não contribui com ações que cooperem para a redução do impacto da escassez da água, contribui para desigualdade de acesso da água a todas as classes no país, ele quebra o contrato elaborado junto com a sociedade. Desse modo, faz-se necessária a revisão da postura estatal em tal conjuntura.

Além disso, faz-se mister destacar que a falta de debates sociais sobre a importância da preservação da água contribui para o silenciamento sobre a escassez da água no país. Nesse espectro, o filósofo alemão Hans Jonas afirma que uma sociedade saudável deve ser capaz de reconhecer e corrigir suas enfermidades sociais. Nesse contexto, a sociedade deve reconhecer que a falta de debate contribui para que o impasse seja a ser tratado de modo trivial, embora, os impactos da crise hídrica no país é seja cada vez mais evidente. Neste prisma, faz-se necessário a mudança da postura social ao promover debates e educação sobre a preservação do meio ambiente.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Nesse viés, o Ministério do Meio Ambiente, junto ao governo, promover medidas de investimentos em políticas públicas para redução da crise hídrica e conscientização de seus impactos, por meio de um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados. Nele deve constar que deve haver medidas de investimentos para a regulamentação do uso racional de água no país, bem como palestras por meio de ONG´S contratadas pelo Estado para ensinar sobre o uso consciente da água para não ocorrer futuros impactos, com fito de ampliar o debate sobre o assunto e diminuir os futuros impactos sociais da escassez de água, sabendo que o Estado tem papel essencial na resolução do impasse.