Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 06/10/2020
A obra “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, retrata as dificuldades enfrentadas no cotidiano de uma família que convive com a falta de água no nordeste do Brasil. De maneira análoga ao romance, a escassez de água é um perigo para o futuro do país, que perpetua-se tanto pela ineficiência estatal, como pela alta exploração da natureza. Assim, faz-se imprescindível a efetivação de ações para enfrentar a problemática.
Em primeiro plano, vale expor a Constituição Federal de 1988, pois ela afirma ser dever do Estado garantir o acesso da população à água, no entanto, nota-se que tal direito básico é negado a uma considerável parcela de brasileiros. Nesse sentido, percebe-se que a má gestão dos recursos hídricos é responsável pela manutenção de tal quadro, visto que há lacunas nos planos para seu manejo e preservação adequados, como o fato de não levarem em conta as variações climáticas. Sendo assim, apesar de o país possuir uma das maiores reservas de água doce do planta, tal recurso é mal distribuído entre seus habitantes.
Outrossim, segundo a máxima do sociólogo José Beting, os brasileiros foram dopados pela cultura da abundância, responsável pelo seu desperdício de recursos, dentre eles a água. Nessa óptica, tal pensamento é comprovado pelo desperdício hídrico
dado por seu elevado consumo industrial, agrícola, comercial, assim como a contaminação de afluentes e outros atos irresponsáveis que acabam alterando fatores climáticos, e desse modo, afetam o ciclo pluviométrico. Logo, como apontam dados do IBGE, 18,4 milhões de brasileiros não recebem égua encanada diariamente, evidenciando o descaso governamental diante de tal situação.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para atenuar a questão. Logo, cabe ao Governo Federal, Instância máxima de ação executiva, assegurar o bom uso da água, por meio do investimento de verbas no Conselho Nacional de Recursos Hídricos, a fim de garantir que os planos de gerenciamento sejam postos em prática, também levando em conta as sugestões da sociedade. Além disso, o mesmo agente, deve fortalecer a Agencia Nacional de Águas e Saneamento Básico, mediante a destinação verbas para tal órgão, com o intuito de promover maior fiscalização do desperdício de água. Dessa forma, a realidade que exibe o livro “Vidas Secas” poderá ser remodelada.