Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 07/10/2020
Segundo a Constituição federal de 1988, é garantido a todo e qualquer indivíduo o direito à saúde e à igualdade. Entretanto, tal plano teórico não se aplica totalmente à realidade brasileira, uma vez que há impactos gerados pela escassez de água no século XXI. Nesse sentido, é importante analisar que parte da população tem suas garantias constitucionais violadas, o que é consequência da negligência governamental, somada à má formação escolar, as quais dificultam a atenuação do problema.
Em primeiro plano, observam-se algumas distorções governamentais no cumprimento de seus deveres e, especificamente, em garantir água potável para toda a população. Nesse viés, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, em sua teoria contratualista, os indivíduos de uma sociedade abrem mão de parte de suas liberdades e delegam funções ao Estado, com o intuito de atingir o equilíbrio social. Sob essa perspectiva, o governo falha à medida que não cria projetos eficientes de captação e aproveitamento da chuva, de forma a auxiliar as regiões que sofrem com escassez hídrica, como áreas do Nordeste. Logo, a falta dessas providências colabora para a manutenção da desigualdade, já que pessoas que vivem nesses locais possuem um saneamento básico deficitário e ficam suscetíveis a doenças causadas pela ingestão de água contaminada, como diarreia e verminoses.
Ademais, os impactos da escassez da água podem possuir relação com um consumo irresponsável desse recurso, ao passo que as instituições de ensino demonstram-se ineficientes em estimular a consciência hídrica na aprendizagem do estudante. Acerca disso, o filósofo Theodor Adorno apontou, como possibilidade sociológica, uma pedagogia para autonomia, a fim de desenvolver uma escolaridade marcada por uma ética responsável e inclusiva. Nessa conjuntura, o tecido educacional é ineficaz em fomentar, no aluno, um senso crítico capaz de utilizar a água adequadamente e evitar desperdícios, além de impedir a poluição de ecossistemas relacionados a esse bem. Portanto, em função da baixa escolarização e de uma utilização insustentável, parte da população contribui para a carência hídrica e, por isso, algumas famílias sofrem com uma hidratação insuficiente e inadequada.
Em conclusão, é responsabilidade do Estado, mediante o cumprimento de seus deveres previstos na Carta Magna, desenvolver medidas capazes de atenuar a problemática. Destarte, é dever do Ministério da Educação, por meio do financiamento de palestras educacionais, orientar sobre a necessidade de conservar a água e os ecossistemas relacionados com ela, além de instruir a respeito de como evitar o desperdício desse recurso, como em reduzir o tempo de banho ou, ainda, em aproveitar a água da chuva para regar plantas. Desse modo, os impacto gerados pela escassez hídrica serão atenuados, visto que as pessoas irão aprender a utilizar e consumir esse bem com sensatez.