Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 05/11/2020

A cosmologia, disciplina voltada para o surgimento do universo, tem como representante o filósofo Tales de mileto, que acreditava que a origem seria a água. Paralelo a isso, a Terra, conhecida como ´´planeta azul``, é formada majoritariamente por água, no entanto, uma pequena fração da parte líquida é própria para o consumo humano. Nesse panorama, a contaminação da rede hidrográfica, junto a degradação das matas ciliares, intensificam a crise de abastecimento.

É válido salientar, em primeiro lugar, que, o abastecimento ao agrário é setor de destaque em desperdício, por meio da contaminação hídrica e, dessa forma, catalisa o processo de desabastecimento em grandes centros. De maneira anacrônica, no Egito antigo, o consumo de água era destinado, em sua maioria, para a irrigação das plantações e sustentava a agricultura de subsistência dessa sociedade. Contudo, na contemporaneidade brasileira, aproximadamente 70% do consumo é destinado a agricultura e, por conseguinte, de acordo com a Embrapa, nas regiões mais desenvolvidas da federação aproximadamente 70% dos corpos aquáticos encontram-se contaminados por organoclorados. Assim, é perceptível que, além da degradação ambiental pela agricultura, esse setor promove também o consumo e a contaminação das redes hídricas, dificultando o desenvolvimento sustentável.

Ademais, o abastecimento é dividido em 3 partes: captação, tratamento e distribuição. Seguindo a sequência apresentada, de acordo com o Instituto Trópico Subúmido, no cerrado, onde estão localizadas nascentes importantes da rede fluvial do Brasil, o desmatamento pela agricultura destruiu cerca de 75% da cobertura vegetal. Com isso, nao há absorção suficiente de agua pelos aquíferos, causando o desaparecimento de nascentes da rede hidrográfica. Portanto, é notório que a degradação do ambiente provoca colapso na captação, que intensifica o processo de desabastecimento.

Dessa forma, faz-se necessário suprimir a crise desde a captação, passando pela rede de tratamento e o consumo de forma consciente. Para tanto, o Ministério da Agricultura, devem promover uma política de reflorestamento, por meio do incentivo fiscal aos latifundiários, ao redor das nascentes e recuperação das matas ciliares, com o intuito de reestabelecer o equilíbrio da rede hidrográfica.  Outrossim, deve ser intensificado o processo de fiscalização por imagens de satélites, para o cumprimento da intervenção supracitada. Ademais, o Ministério da Ciência e Tecnologia, por pesquisas nas redes de tratamento, deve criar uma tecnologia de tratamento dos esgotos que não remova os compostos orgânicos e assim, destinar a agricultura o líquido tratado, servindo como adubo orgânico, com a finalidade de preservar os recursos potáveis e criar uma forma de descarte correto do esgoto.