Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 13/11/2020

O poema “No meio do caminho”, do escritor modernista Carlos Drummond de Andrade, revela, de forma metafórica, a existência de obstáculos no percurso da vida humana. De maneira análoga, os impactos da escassez da água no século XXI tornaram-se pedras no meio do caminho da sociedade moderna, haja vista que eles impedem a efetivação do pleno bem-estar social. Nesse sentido, convém analisar como a má gestão do governo e a falta de conscientização da população contribuem para esse problema na sociedade.

Em primeiro plano, é indubitável que a má gestão do governo esteja entre as causas do transtorno, tendo em vista que a quantidade de água é mal distribuída. Desse modo, uma desigualdade é gerada não só no território nacional, mas também no mundial. Por conseguinte, inúmeras pessoas não possuem acesso à água e não dispõem dos serviços adequados de saneamento básico, o que desencadeia mortes em massa e vai contra os direitos assegurados na Constituição Federal de 1988. Nesse contexto, de acordo com os dados do “World Resources Institute” (WRI), 1,2 bilhão de pessoas não têm acesso a água tratada e 10 milhões morrem anualmente em decorrência de doenças intestinais transmitidas por água insalubre.

Em segundo lugar, destaca-se a ausência de conscientização do contingente populacional como impulsionadora dos impactos da escassez de água no século XXI. Isso porque por mais que os indivíduos saibam que a água é um recurso finito, não acreditam que ela possa acabar um dia. Dessa maneira, eles não dão o devido valor e a usam de modo inconsciente, pois demoram no banho, deixam a torneira aberta enquanto escovam os dentes, lavam calçadas e veículos, entre outros. Dessa forma, confirmam o que o médico inglês, Thomas Fuller, disse, “Enquanto o poço não seca, não sabemos dar valor à água.”

Logo, é notório que a má gestão do governo e a falta de conscientização das pessoas são apenas dois dos fatores que acarretaram os impactos da escassez da água no século XXI. Portanto, é imprescindível que o governo, em parceria com as empresas privadas e as principais emissoras de televisão, crie um programa de gerenciamento e outro de campanhas midiáticas, com a participação de mestres e doutores da área. Por meio de um planejamento que vise acabar acabar com a desigualdade da distribuição de água e de campanhas em filmes e rádios, que alertem os indivíduos sobre as consequências do desperdício de água e incentivem a preservação, a fim de erradicar as pedras do caminho da sociedade, como no poema “No meio do caminho”, de Drummond.