Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 24/11/2020

O Mito da Caverna, do filósofo Platão, é uma alegoria que representa um grupo de pessoas o qual se recusa a enxergar a verdade a respeito do mundo em razão do medo de abandonar a zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se a mesma problemática no século XXI, tendo em vista que a escassez de água torna-se uma realidade cada vez mais presente no cotidiano e, ainda assim, é negligenciada e insuficientemente combatida. Com isso, é substancial analisar os efeitos da crise hídrica nos âmbito social e econômico.

Em primeira análise, é lícito afirmar que a falta de água afeta diretamente a qualidade de vida de uma população, dado que o recurso é uma das garantias básicas responsáveis por possibilitar o acesso a uma vida plena, assegurado pela Constituição. Nesse viés, a filósofa Hanna Arendt defende que a essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos. Sob tal óptica, depreende-se que o abastecimento deficitário constitui-se como um desrespeito ao privilégio concedido ao cidadão. Tendo isso em vista, nota-se que essa conjuntura contribui para a manutenção do estado de miserabilidade social, uma vez que a escassez prejudica atividades básicas, como o preparo de refeições e a higiene pessoal, o que caracteriza o desrespeito à integridade dos indivíduos vítimas da pobreza extrema.

Em segunda análise, constata-se que a escassez pode comprometer também o desenvolvimento econômico. Nesse sentido, o filósofo Adam Smith afirma que o consumo é o único propósito e a única finalidade da produção. Diante disso, é válido frisar que a crise hídrica tem como efeito a estagnação da economia, posto que a água constitui-se como agente fundamental na linha de produção de diversos insumos. Dessa forma, a ausência desse recurso natural em importantes setores da economia tem o poder de desestabilizar o mercado e ocasionar o desabastecimento de produtos que chegam às cidades.

Assim, medidas são necessárias para frear os impactos da atual escassez de água. Por conseguinte, é preciso que o Poder Legislativo, por meio de plebiscitos, aprove projetos de lei que imponham penas severas às empresas que forem flagradas cometendo desperdícios exorbitantes, a fim de possibilitar a preservação do recurso. Adicionalmente, o Ministério da Educação, por intermédio de campanhas educacionais nos colégios, promova palestras sobre como evitar o gasto excessivo em casa, com a finalidade de gerar a reflexão por parte dos estudantes acerca da importância da água.