Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 22/11/2020

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais dos indivíduos que a compõem. Fora da ficção, é fato que as observações apresentadas pelo escritor brasileiro podem ser relacionadas à escassez de água no século XXI, principalmente no Brasil. Diante disso, vale salientar que o descaso governamental e o uso excessivo da água corroboram para uma crise hídrica no planeta, o que afetará todos que dependem dessa para sobreviver.

De início, deve-se destacar que o Poder público falha ao cumprir seu papel como agente fornecedor de direitos mínimos. Nesse âmbito, o jornalista Gilberto Dimenstein elaborou uma tese denominada “O Cidadão de Papel”, na qual o autor define a expressão como um indivíduo que apesar de possuir direitos na legislação, não os vivencia, devido à desinformação por parte da população. Sob esse viés, sabe-se que o direito à vida é “assegurado” pela Constituição de 1988, e que sem a água não há vida, uma vez que todos os seres vivos são dependentes dessa para sobreviver. Logo, evidencia-se que a negligência estatal em relação à distribuição de água rompe com o que é proposto por lei, já que não há políticas públicas voltadas às comunidades carentes - que, em muitas das vezes, buscam água em poços artesianos.

Outrossim, cabe ressaltar que grande parte da população brasileira utiliza a água de forma inadequada. Nessa perspectiva, de acordo com o jornal Folha de São Paulo, em 2019, o uso da água aumentou cerca de 27% na última década, o que totalizou um desperdício de 25%. Sob tal ótica, percebe-se que existe uma atitude negativa na sociedade, já que há um manuseio inconsciente dos indivíduos, pelo fato de a educação hídrica no país não ser uma exigência nas instituições de ensino. Nessa lógica, é preciso uma mudança de ideologia para que as outras ocorram, sendo o Estado e as entidades privadas os responsáveis por essas transformações.

Portanto, para que haja uma melhoria nesse cenário de crise hídrica, é imprescindível o esforço coletivo entre as comunidades e o Estado. Dessa maneira, cabe ao Governo Federal, em parceria com instituições privadas, promover a distribuição equitativa da água, mediante verbas governamentais, com o intuito de que todos os cidadãos tenham acesso à água potável. Além disso, devem propor uma reeducação sociocultural no uso da água, por meio de campanhas educacionais, em jornais, livros, palestras em escolas com profissionais especializados, redes sociais e revistas. Em seguida, devem ter por finalidade a mudança do pensamento dos indivíduos, para que assim possa haver uma sociedade mais esperançosa e um uso adequado da água.