Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 08/12/2020
A partir da Primeira Revolução Industrial, as transformações do espaço urbano ocorreram exponencialmente e reduziram a paisagem natural, alterando a disponibilidade dos recursos hídricos. Tais modificações do espaço, de origem antrópica, bem como uso indiscriminado por algumas populações, já contribuem significativamente para crises hídricas em regiões economicamente desfavorecidos. É de extrema importância uma mudança de postura no consumo e na gestão de recursos hídricos. Segundo o aforismo de Lúcio Anneo Sêneca — filósofo estoico da Antiguidade —, o homem que vive em harmonia com a natureza jamais padecerá.
O crescimento urbano acarretou a redução da cobertura vegetal e, consequentemente, a impermeabilização do solo citadino. Tal dinâmica impede a infiltração das águas pluviais no solo e, portanto, a recarga natural dos aquíferos — um processo fundamental para o abastecimento mundial dos lençóis freáticos. Simultaneamente a este problema, o desperdício de água e a má gestão dos corpos hídricos compõe uma conjuntura crítica. Segundo dados levantados pela ONU (Organização das Nações Unidas), países desenvolvidos utilizam cem vezes a quantidade de água necessária no dia a dia, evidenciando o quão desigual é o acesso a este recurso. No Brasil, problemas como a gestão hídrica deficitária privilegia uma parte da população em detrimento de outras. Esta é a situação, apontada pelo especialista hídrico João Suassuna, acerca do prejuízo sofrido por comunidades do semiárido brasileiro, onde ocorreu transposição do Rio São Francisco, indicando uma gestão seletiva. As consequências da crise hídrica já são significativas em populações vulneráveis. Segundo o levantamento divulgado pela Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), apenas 50% da população mundial possui acesso a água e, desta parcela, apenas 35% têm acesso a água potável. Ainda segundo o levantamento, o uso do continente africano equivale a 0,1% do uso em continentes como a América e Europa. No nordeste brasileiro, 34 milhões de habitantes reclamam pela falta de gerada pela transposição do Rio São Francisco, estes dados demonstram a influência socioeconômica no uso da água.
Dessa forma, faz-se necessária uma nova abordagem na questão hídrica: o Ministério Público da União deve fomentar o uso consciente da água, através de campanhas educativas veiculadas em todas as mídias, bem como, financiar pesquisas sobre novas técnicas de tratamento hídrico, realizado por meio de suas instituições de ensino superior, para serem aplicadas nos setores de gestão hídrica. Tais medidas devem ser tomadas a fim de evitar o desperdício, obter um avanço em termos de tratamento de água, e por fim mitigar as disparidades no acesso a esse recurso natural que tanto importa à vida.