Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 02/12/2020
O filósofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois este seria livre e responsável. No entanto, percebe-se atualmente a irresponsabilidade da sociedade no que concerne à questão dos impactos da escassez de água no século XXI. Nessa perspectiva, é explícita a escolha irresponsável do ser humano, o que se configura como um problema de contornos específicos em virtude do consumismo exacerbado e a falta de políticas públicas ao consumo consciente.
A princípio, o consumismo exagerado das sociedades modernas apresenta-se com um complexo dificultador. Nesse sentido, o conceito de “sociedade de consumo” se torna bastante útil, pois é um termo utilizado para designar a sociedade que se caracteriza pelo consumo massivo, uma causa latente no que concerne aos problemas decorrentes da falta de água na atualidade. Platão contribui para a discussão ao definir que o amor (Eros) era o desejo por aquilo que não se tem. Nesse sentido, percebe-se uma analogia entre o amor platônico e o consumo, o que gera, então o consumismo, que catalisa a escassez hídrica no mundo, uma vez que esse propicia problemas ambientais como a poluição de rios e lagos através do descarte de resíduos sólidos dada a produção exagerada a fim de suprir a necessidade consumista das sociedades.
Vale ressaltar, também, que a falta de água no mundo evidencia a ausência de políticas públicas que visem o consumo consciente. Maquiavel defendeu que “mesmo as leis bem ordenadas são impotentes diante dos costumes". A perspectiva do filósofo aponta para uma falha muito comum das sociedades: acreditar que a criação da lei em si pode resolver problemas complexos, como a questão dos desafios ocasionados pela inópia hídrica contemporânea. Assim, o que se verifica é uma insuficiência da legislação, se esta não vier atrelada a políticas públicas que ajam na base cultural do problema de maneira contundente a fim de solucionar o problema, o que dificulta a sua resolução.
É evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Torna-se imperativo, portanto, modificar a visão da população acerca das leis. Isto pode ocorrer através de uma ação conjunta do Poder Judiciário com o Ministério da Educação, a promover palestras e debates em escolas acerca do processo de elaboração e fiscalização das leis no Brasil, a fim de que as novas gerações se tornem mais atuantes e entendam o propósito das leis à resolução de problemas como os impactos da escassez da água no século XXI. Dessa forma, espera-se a construção de uma sociedade melhor.