Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 14/12/2020

A partir da Primeira Revolução Industrial, as transformações do espaço urbano aumentaram exponencialmente e reduziram a paisagem natural, alterando a disponibilidade dos recursos hídricos. Tais modificações dos espaços, de origem antrópica, bem como, o uso indiscriminado de água em determinadas populações, são fatores significativos dentre os quais geram crises hídricas em regiões economicamente desfavorecidas. Portanto, se faz necessária uma mudança de postura relacionada ao consumo e tratamento de recursos hídricos, pois segundo o aforismo de Lúcio Aneu Sêneca, filósofo estoico da Antiguidade, o homem que vive em harmonia com a natureza jamais perecerá.

Primeiramente, é importante salientar como o crescimento urbano influencia no ciclo da água a partir da redução da cobertura vegetal e, consequentemente, na impermeabilização dos solos citadinos. Tal dinâmica impede a infiltração das águas pluviais no solo, inviabilizando, portanto, a recarga natural dos aquíferos — processo fundamental para o abastecimento mundial.

Além disso, o uso em excesso da água constitui a conjuntura crítica, uma vez que, o estresse hídrico — consumo de água superior ao montante disponível — diminui a quantidade distribuída em regiões vulneráveis por razões socioeconômicas. Segundo dados levantados pela ONU (Organização das Nações Unidas), países desenvolvidos utilizam até cem vezes a quantidade de água necessária no dia a dia, enquanto o continente africano utiliza 0,1% desta mesma quantidade. Ademais, de acordo com o relatório apresentado no ano de 2016 pela Unicef (Fundo das Nações Unidas para Criança), apenas 50% da população mundial possui acesso a água, e desta parcela, apenas 35% é, de fato, potável.          Dessa forma, torna-se evidente a necessidade de uma nova abordagem na questão hídrica. O Ministério Público da União deve fomentar o uso consciente da água, através de campanhas de caráter educativo veiculadas em todas as mídias, a fim de alertar sobre as consequências iminentes do desperdício. Ademais, o Poder Executivo Federal deve financiar pesquisas, em suas instituições de ensino superior, sobre novas técnicas de tratamento de água a fim de otimizar e acelerar o tratamento de corpos hídricos, aumentando a quantidade disponível destes recursos. Então, dessa maneira daremos início à ação necessária para reverter este cenário e diminuir as disparidades no acesso a este recurso natural, que é tão importante à vida