Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 16/12/2020

Francis Bacon, considerado fundador da ciência moderna, afirmava que “Conhecimento é poder”. Tal máxima, se interpretada, afirma que o saber é poder, sobretudo de dominar a natureza e moldá-la ao seu favor, pois quanto mais conhecimento há sobre uma coisa, mais fácil controlá-la. De maneira análoga, hodiernamente essa máxima ainda é tida como verdade, visto que o homem utiliza do meio ambiente em benefício próprio, sem se ater às graves consequências que isso causa, como o surgimento da indústria da seca e o crescente esgotamento do recurso mais importante do homem: água potável.

Um dos grandes fatores da necessidade de medidas que incentivem o consumo consciente de água, é o exorbitante gasto feito pela agroindústria. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), essa é a atividade que mais gasta água. Sozinho, esse setor é responsável por 70% da água no Brasil, uma grande porcentagem que poderia ser diminuída com medidas corretas e que considerem a quantidade alarmante de água utilizada. Ademais, o próprio ser humano acostumou-se ao gasto excessivo e não se preocupa com as consequências de seus atos, usando a água indiscriminadamente para benefício próprio, sem considerar atitudes que poupem o recurso finito e imprescindível.

De acordo com o filósofo Thomas Hobbes, o homem é um ser egoísta e que prefere o benefício próprio em detrimento dos outros. Tal individualismo propiciou o surgimento das chamadas “indústrias da seca”, que, para alcançar seus próprios lucros, utilizam de situações calamitosas, como uma grande seca e pessoas morrendo de sede para conseguir verbas e incentivos fiscais para si mesmos, enquanto as poucas verbas destinadas a reais calamidades em locais com pouca água, tornam-se segundo plano ou obras inacabadas e ineficazes. Assim, tal recurso já escasso pela indústria agropecuária e uso social, é ainda mais prejudicado.

Logo, a fim de que o consumo consciente de água seja incentivado, e a as indústrias da seca combatidas, é mister que o Estado aumente a fiscalização das indústrias da seca, se atentando aos gastos e lucros, sua verba e ações, de modo que restrinja os atos da indústria. Ademais, é necessário conter o exorbitante gasto da agropecuária, estimulando técnicas de irrigação controladas especificamente à quantidade de água necessária para a plantação e pasto. Por fim, é profícuo que a mídia, aliado aos meios digitais, propague os meios domésticos do uso consciente da água, evitando desperdícios, de modo que diminua consideravelmente o nível do gasto de água. Assim, torna-se possível o uso consciente do recurso hídrico e um futuro favorável para as gerações seguintes.