Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 15/11/2021
No filme “Wall-e” é retratado um futuro distópico em que toda a humanidade mora em uma nave no espaço, pois a Terra está inabitável devido ao excesso de detritos no ambiente, que poluíram o ar, água e o solo, o que interferiu no aquecimento global e na possibilidade de sobrevivência dos seres vivos. Fora das telas, fica claro que a situação do planeta não é tão distante da ficção, pois com o crescimento populacional já enfrentamos as consequências dos nossos atos, tal qual a escassez de água mundial. No Brasil atual, o problema é agravado devido a exploração irresponsável da indústria e à falta de consciência ambiental do ser humano.
Sob esse viés, é válido ressaltar que as indústrias contribuem de modo expressivo para a crise hídrica atual. Nesse sentido, o sociólogo Karl Marx defende que a natureza não deve ser usada como fonte ilimitada de matéria-prima ou como um recurso gratuito. Dessa forma, a continuidade do modo de produção capitalista conduz à deterioração da base da produção, da natureza e por consequência leva a escassez de água. De acordo com um levantamento feito pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o setor industrial é o terceiro maior consumidor de recursos hídricos no país. Assim, é evidente que a ganância das corporações, através de seus métodos obsoletos de produção que causam o desperdício de água impactam diretamente no meio ambiente.
Ademais, o aumento exponencial da população aliado à falta de conhecimento da população leva à escassez de água no país. Nesse contexto, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Desse modo, é inegável que o conhecimento limitado do cidadão impede que ele enxergue os efeitos que seus impactos, como o desperdício de água e poluição desse recurso, causam na biodiversidade do país. Consequentemente, devido a perspectiva limitada do indivíduo, ele não percebe que sua sobrevivência e das gerações futuras dependem de sua responsabilidade social e ambiental.
Portanto, é vital que o Ministério da Educação (MEC), em parceria com as prefeituras tome providências para amenizar os impactos da crise hídrica no país. Para isso, o MEC deverá organizar oficinas educativas nas semanas culturais dos colégios municipais, por meio de palestras com ambientalistas, que poderão utilizar como exemplo filmes que ilustrem o futuro do país caso não revertamos o cenário de poluição atual, a fim de elucidar a gravidade da situação para os jovens e suas famílias e estimular que eles adotem uma visão de longo prazo sobre os benefícios de reduzir o desperdício de água. Além disso, poderão incentivar que a população fiscalize e cobre as indústrias para substituírem práticas retrógradas e prejudiciais ao meio ambiente.