Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 09/01/2021

A Agenda da ONU 2030 é um plano de dezessete metas, acordadas entre diversos países, para o desenvolvimento sustentável mundial, dentre os objetivos está o direito a água limpa e saneamento à toda população. Sob esse panorama, a escassez da água, no cenério atual, repercute como um impeditivo à qualidade de vida humana. Destarte, o aumento de tensões e a vulnerabilidade da saúde da população são impactos alarmantes dessa crise no século XXI.

A princípio, é imperativo relacionar o crescente número de conflitos ao redor do mundo a carência de bens vitais como a água. Nessa perspectiva, com a falta de recursos hídricos, oriunda do descaso dos governantes e da quantidade excessiva utilizada pelo setor de agropecuária, acirram-se as desigualdades sociais, visto que a água torna-se um bem de consumo hipervalorizado e disponível apenas aos mais ricos e poderosos. Dessa forma, o documentário “Explicando”, da Netlix, expõe a disputa por esse recurso como motivador de guerras no século XXI, como a Guerra da Nigéria e a Guerra Civil da Síria. Logo, a ausência de estabilidade política e de um ambiente pacífico, devido ao estresse hídrico, são óbices ao desenvolvimento sustentável global.

Ademais, cabe ressaltar o prejuízo a saúde dos cidadãos, fomentando as mazelas sociais, como consequência da escassez hídrica. Nesse sentido, por necessitar da água, não apenas para consumo direto, mas também para realizar práticas básicas de higiene pessoal e de alimentos, os indivíduos são obrigados, muitas vezes, a utilizar recursos insípidos e impróprios, com a carência desse recurso, ficando sucetíveis a doenças -como desidratação, diarreia, desinteria. Tal lógica é comprovada pela Quarta edição das Guias da Organização Mundial de Saúde(OMS) sobre Qualidade de Água para Consumo Humano, na qual afirma que milhões de pessoas morrem a cada ano de doenças transmitidas pela água. Por conseguinte, com a saúde debilitada a população é impossibilitada de contribuir produtivamente, resultando na perpetuação do ciclo da pobreza.

Portanto, mitigar os efeitos de tal escassez não será tarefa fácil, contudo, tornar-se-á possível. Sendo assim, impende ao Governo Federal -em parceria com outros países signatários do documento da ONU- investir em políticas públicas de tecnologia hídrica sustentável. Essa ação pode ser constituída por meio de distribuição de verbas, em forma de bolsas educacionais, para projetos científicos que otimizem a distribuição de água nas cidades -com destaque para as zonas periféricas- e desenvolvam métodos de irrigação e cultivo mais eficazes, econômicos e ecológicos para o setor agropecuário. Com fito de garantir uma vida digna, com água, a todos e impulsionar o desenvolvimento sustentável. Enfim, a população viverá, no século XXI, sob a égide profícua traçada pela Agenda.