Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 06/03/2021
Na mitologia egípcia a deusa Anuket era considerada a encarnação do Rio Nilo, sendo cultuada pela população da região justamente por simbolizar a maior fonte de obtenção de alimentos e, consequentemente, de sustento da época. Em paralelo com a atualidade, é possível perceber que a água não tem mais sua importância levada plenamente em consideração, o que reflete em sua crescente escassez e gera consequências diversas, causadas principalmente pela má distribuição desse recurso e pela carência de consciência em relação a utilização do mesmo. Dessa forma, fica evidente a necessidade de discutir a desigualdade no acesso à água e como a irresponsável acerca de seu consumo afeta sua disponibilidade.
Em primeira instância, é importante ressaltar que a disparidade social é um dos maiores motores da falta de água para determinadas parcelas da população. Milton Santos, geógrafo brasileiro, elucida que a globalização, como é definida formalmente, não passa de uma fábula que gera contrastes populacionais visíveis. Assim, pode-se analisar a má distribuição da água como uma consequência direta da evolução tecnológica, a qual em diversas situações não está pareada com a manutenção dos direitos de todas as classes da população.
Ademais, é relevante frisar que a visão irresponsável acerca do consumo desse recurso é, sem dúvidas, uma das causas de sua escassez e dos impactos gerados por esse. Segundo recomendações da Organização das Nações Unidas (ONU), o consumo diário recomendado para cada habitante deve ser de 110 litros. Porém, de acordo com dados do Instituto Trata Brasil a média diária por habitante no país chega a 166,3 litros, o que representa um número 51% maior que o recomendado. Isso reflete, então, a falta de consciência social no que diz respeito a importância da utilização ecológica da água, fator enraizado no imaginário da população, que ainda não reconhece a degradação desse bem natural como algo que deve ser combatido com urgência.
Portanto, o Ministério do Meio Ambiente, em conjunto às Secretarias Municipais, deve, por meio da aplicação de verbas governamentais destinadas a questões sociais, realizar obras de infraestrutura que visem universalizar o acesso à água no Brasil, como a criação de sistemas de distribuição que supram as necessidades de camadas menos favorecidas. Além disso a imprensa, com destaque aos canais de televisão aberta, juntamente com ONGs voltadas ao meio ambiente, precisa promover campanhas que mostrem as consequências da falta de cuidado com esse recurso e, ainda, a maneira correta de preservá-lo, a fim de acabar com as concepções que não reconhecem a importância da água. Somente dessa forma será possível fazer com que a água seja valorizada e preservada, tal qual no antigo Egito.