Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 14/04/2021

Na obra literária “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, é perceptível o contínuo anseio pela sobrevivência humana, a fim de obter um direito universal inquestionável: a água. A escassez desse bem hídrico tornou-se um problema atemporal e aflige a sociedade contemporânea à medida que sua demanda e consumo aumentam. Dessa forma, percebe-se que esse problema persiste pelo hiperconsumo contemporâneo que é responsável por significativo gasto de água, como também o descaso social e a exploração humana perante a seca. Sendo assim, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da comunidade.

É importante pontuar, de início, que o conceito de água virtual se refere ao total desse líquido empregado desde o início da produção de um material, até chegar ao ponto de venda. Isso ocorre na quantidade líquida utilizada para a fabricação de produtos, como, automóveis ou a própria calça jeans, que necessita de 11.000 litros para atingir a tonalidade ideal. Nesse contexto, pode-se constatar que o consumismo exacerbado se encontra diretamente entrelaçado a escassez desse solvente universal, sendo preciso uma quantidade significativa desse líquido nas indústrias brasileiras, a fim de saciar os anseios dessa sociedade capitalista. Assim, verifica-se a promoção de lucros comercias desse sistema de produção na comunidade brasileira.

Ademais, devido a esse consumo excessivo de água, o contexto de exploração humana em Vidas Secas, torna-se atemporal. Na obra, a miséria causada pela falta de água, soma-se à miséria imposta pela influência social representada pela exploração dos ricos proprietários da região. Analogamente, na atualidade, essa exploração se expressa na indústria da seca. Esse termo remonta ao clientelismo, já que elites regionais manipulam a distribuição de água de acordo com o seu interesse político, comum no Nordeste. Dessa forma, a carência desse composto orgânico em determinados territórios no Brasil afeta diretamente o corpo social, que consequentemente, sofre danos irreversíveis, determinados por um ambiente caótico e desprovido da desfrutação de seu direito universal.

Diante dos argumentos apresentados, percebe-se fundamental a implantação de medidas exequíveis no Brasil, a fim da atenuação desse imbróglio. Logo, a Mídia deve promover o consumo consciente da água por parte da população, por meio de campanhas publicitárias e merchandising social em filmes, novelas e rádios, que alertem as pessoas sobre as consequências do desperdício desse líquido e caminhos para a sua preservação, no intuito de minimizar os efeitos negativos causados pela iminência de uma crise hídrica e promover engajamento social acerca do cuidado com o maior bem natural do planeta.