Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 09/04/2021

Ser banhado por água de todos os lados não garantiu ao Brasil sua autossuficiência hídrica. As razões para isso são inúmeras, vão do desperdício à falta de conscientização ambiental. Todavia, a escassez desse recurso tem chegado a níveis calamitosos, levando vários estados brasileiros a situações extremas de secas prolongadas, crises energéticas e prejuízos na economia. Porém, o que tem sido feito para conter o avanço da escassez de água no Brasil é insuficiente diante da dimensão do problema e nem sempre é realizado de forma sustentável.

É sabido que a água é um bem finito. Porém, pelo Brasil possuir grandes reservas desse recurso, há um senso comum falacioso o qual é responsável por fazer a sociedade acreditar que haverá água para sempre. O choque de realidade foi dado há poucos anos quando os reservatórios de São Paulo chegaram a níveis baixíssimos. Longe dali, a região nordeste convive há tempos com a seca, seja por questões climáticas, seja pela falta de uma política de abastecimento que mude essa realidade. Contudo, a transposição do Rio São Francisco foi uma alternativa criada para dirimir esse dilema. Entretanto, obras dessa magnitude nem sempre levam em conta os impactos ambientais. No Mar de Aral, por exemplo, transpor águas foi determinante para a destruição daquele ecossistema.

Outro fator preocupante da escassez de água criação e difusão de energia elétrica pelas usinas. Sem água, o fornecimento energético é comprometido, levando o governo a criar novas hidroelétricas, nem sempre sustentáveis, como a de Belo Monte, no Pará. Falar de crise hídrica é mencionar também um dos seus maiores vilões, o agronegócio. A expansão de terras agrícolas, além de necessitar de muitos metros cúbicos de água, ainda polui rios, destrói nascentes, causando danos irreversíveis aos cursos hídricos. Segundo conclusões das universidades federal e estadual do Rio de Janeiro, mais de 70 milhões de brasileiros sofrerão com a falta d’agua até 2035. Sem uma consciência ambiental para rever isso, a sociedade desperdiça água do campo à mesa, contribuindo para o esgotamento desse recurso e o desequilíbrio da natureza.

Portanto, a escassez de água pode ser oriunda de questões climáticas, mas a principal é a interferência humana. O Ministério do Meio Ambiente deve levar a público a importância do consumo consciente da água por meio de exibição de curtas e documentários; o primeiro divulgado nos intervalos das programações televisivas e pela rede, enquanto o segundo pode se passar nas escolas públicas aliado a discussões com ambientalistas e professores, compondo uma bancada interdisciplinar. A finalidade disso é problematizar acerca do uso incorreto desse recurso .