Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 30/05/2021
Causalidade e consequência: a conexão natural dos seres
A água é o elemento fundamental para a vida como conhecemos. As ligações covalentes entre dois átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio configuram o alicerce de toda a vida: desde simplórios seres procariotas unicelulares, até os complexos eucariontes. Nosso planeta, único - que se saiba - que propicia o surgimento da vida, tem 70% de sua superfície coberta por esse elemento.
No entanto, embora a água permeie a maioria das atividades cotidianas de muitas pessoas, sua disponibilidade não adere a esse programa. Apenas 2,5% da água é disponível para consumo (água doce) e esta reserva se esgota paulatinamente a cada dia. Nos processos de produção de quase todo produto são empregadas quantidades exorbitantes de água, e a fração que sobra na equação é a água que consumimos. A antropização e usufruto em larga escala dos corpos hídricos causa mudanças abruptas nos ecossistemas e, nesse contexto, a utilização deliberada da água nos sistemas agropecuário e industrial pode acarretar um cenário de insegurança hídrica que acometa a fauna e a flora irreversivelmente, em conjunto com os sistemas sociais e econômico humanos.
Países desenvolvidos, em média, consomem mais água do que outros mais brutalizados pela pobreza, tanto em atividades quanto ao indivíduo quanto ao indivíduo. Como consequência da finitude do recurso pelo qual se disputa, se alguém tem demais, alguém tem de menos. A ONU estima que um bilhão de pessoas não possuem acesso a um abastecimento de água suficiente para suprir suas necessidades necessidades. A pobreza acompanha lado a lado o consumo hídrico, quer seja este fato analisado internacionalmente ou entre classes de uma mesma nação. Chico Mendes, ambientalista brasileiro assassinado em 1988 por seus ideais iguailitários, afirmava: “Ecologia sem luta de classes é jardinagem.” A ecologia não pode dissociar-se da água, e a desigualdade da distribuição desse recurso não pode se separar da discrepância socioeconômica entre as aulas
A superação da crise hídrica reside em ações do Ministério do Meio Ambiente na conservação de florestas e mananciais ameaçados por estiagens para recuperação dos corpos hidrográficos, já que a relação entre florestas e água é de dependência mútua. No entanto, as providências devem estender-se além das estiagens. Secretarias Municipais do país todo aderir programas de incentivo ao consumo consciente da água, e, em adição, o Ministério da Educação deve promover na base nacional comum visitas curriculares às áreas de conservação ambiental, para haver aproximação da juventude com a natureza e a compreensão de que a primeira é consequente da e responsável pela segunda.