Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 05/06/2021

Águas vitais

“Traga-me um copo d’água, tenho sede. E essa sede pode me matar.” O verso da canção “Tenho Sede”, do artista Gilberto Gil, ilustra a imprescindibilidade da água para o ser humano e os outros seres vivos. A água não é apenas um artigo de luxo que contribui para o conforto da vida contemporânea, e sim o fator mais básico para a vida. Um ser humano sobrevive entre três e cinco dias sem ingerir líquidos. Desta forma, é evidente que a escassez de água é um dos problemas mais alarmantes da atualidade, e é necessário que medidas sejam tomadas para combatê-la.

A priori, claramente deve-se reduzir o consumo doméstico de água para combater o problema, porém a crise hídrica tem raízes muito mais profundas, e é necessário analisar os alicerces do sistema vigente. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), apenas 10% do consumo de água global é de uso doméstico, contrastando com a agropecuária, área responsável por 70% do consumo. Tais dados são impactantes considerando que 1 em 8 pessoas no mundo não tem acesso à água limpa. É abominável que algo vital tenha se tornado inacessível para uma parcela da humanidade. Além disso, estima-se que a crise é propensa à agravar-se, e a falta de água afetará 5 bilhões de pessoas em 2050, segundo a ONU.

Outrossim, a crise hídrica está ligada diretamente à relação predatória do homem com o meio ambiente. A região sudeste do Brasil possui um regime de chuvas totalmente dependente dos rios voadores vindos da Amazônia. Portanto, o desmatamento acelerado desestabiliza o sudeste brasileiro, que corre o risco de se tornar uma região árida. Ademais, a contaminação dos recursos hídricos por dejetos industriais é ultrajante, visto que afeta a biodiversidade e fontes de água de comunidades locais, atuando como catalisador para a crescente crise.

Dessarte, claramente o colapso dos recursos hídricos é alarmante e providências são necessárias para evitar o deterioramento da situação. Visto que grande parte do consumo de água é oriunda da agropecuária, os produtores devem implementar o sistema de irrigação por gotejamento, reduzindo o desperdício. Em adição, é crucial que as indústrias tratem e reduzam a quantidade de resíduos liberados no ecossistema. Para isso, é necessário que o Ministério do Meio Ambiente e outros órgãos públicos intensifiquem a fiscalização e estabeleçam penalizações. Desta forma, a sociedade preservará os recursos hídricos e caminhará para um futuro mais sustentável não só para a humanidade, mas sim para todo o planeta.