Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 07/06/2021
Na obra Os Retirantes, pintada na década de 40, Cândito Portinari retrata uma família que migra do Nordeste para o Sul do país em busca de melhores condições de vida. Ao sair do universo artístico, a crise hídrica faz com que famílias do mundo inteiro reproduzam a triste realidade encontrada no quadro de Portinari. A partir desse contexto, é válido pontuar a principal consequência da falta de água na questão econômica, bem como o maior efeito dessa escassez na saúde.
Com efeito, é fundamental entender que o principal impacto econômico da falta de água é a desigualdade social. Isso acontece, porque, apesar do Brasil ser o país que concentra 12% de toda água doce do mundo - segundo dados do IBGE - existe um péssimo planejamento urbano para direcionar toda essa água. Assim, ao tomar como base os estudos do geógrafo Josué de Castro, para quem o Brasil é o 2º país com a pior distribuição de riquezas do mundo, percebe-se que, no território brasileiro, o problema não é a falta, mas sim a má distribuição dos recursos hídricos. Dessa forma, as camadas mais pobres da sociedade sofrem pela falta de acesso à água, agravando ainda mais a desigualdade social do país.
Convém pontuar, ainda, que, a escassez de água afeta a saúde da papulação ocasionando inúmeras doenças, seja por falta de água para lavar as mãos ou pela falta de saneamento básico. Tal fato ocorre, pois, por falta de políticas públicas os níves mais carentes da sociedade ficam a deriva de muitas doenças que poderiam ser facilmente evitadas se houvesse uma melhora no planejamento urbano. Prova disso são os dados da pesquisa do Trata Brasil que falam que para cada 1 real investido em saneamento básico, o governo economiza 4 reais em saúde pública. Desse modo, a privação de água afeta a saúde pública e fortalece o hiato já presente entre as diversas camadas da sociedade.
Percebe-se, portanto, que a carência de água exige soluções imediatas. Assim torna-se imperativa a ação do Ministério do Desenvolvimento Regional na melhoria do planejamento urbano, por meio de projetos e postos de fiscalização que irão garantir a circulação adequada do recurso hídrico entre as esferas da população. Ademais, o Ministério da Saúde deve promover campanhas, com a ajuda de profissionais da área, que busquem levar conhecimento sobre a maneira correta do uso da água e a importância de lavar bem os alimentos e as mãos, a fim de que a população em geral se torne mais consciente e que não seja mais necessário recriar o famoso quadro de Portinari.