Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 07/06/2021
Conscientizar ou reformar?
Segundo a Agência Nacional das Águas (ANA), em 2017, apenas 8% de todo consumo hídrico no Brasil vinha de àreas urbanas e majoritáriamente através do consumo doméstico. Apesar disso, órgãos estatáis, organizações não governamentais e até mesmo empresas promovem campanhas de “consumo consciente” em pról de mudanças positivas no meio ambiente, entre elas o combate a escasses hídrica, porém sem apontar os setores com parcela de responsabilidade maior sobre o consumo de água e impactos nas jazidas e cursos hidrícos nacionais.
Atualmente, a comunidade científica reconhece que, em média, aproximadamente 70% do corpo humano é constituído por água. Todavia, o ser humano e a ‘água pura’ em temperatura ambiente ideal - segundo a Organização Mundial da Saúde, 26°C -, apresentam estados físicos diferentes, o que na ausência de dados científicos dificulta na presunção dos componentes do organismo humano. Assim como o ser humano, os instrumentos de subsistência e manutenção do padrão de vida do mesmo em sociedade, envolvem água no seu conteúdo e, para além disso, na sua produção. Com isso, a pegada hídrica dos produtos comercializados pode não parecer explicita no produto final, como é do cultivo de especies de interesse agrosilvopastoril. Apesar disso, a promoção de uma conscientização da pegada hídrica do padrão de vida humana, não é suficiente, e quando junto dessa conscientização se promove ações prática individuais, o impacto é mínimo, uma vez que só corresponde às ações de um indivíduo.
A escasses hidríca está relacionada com o sistema de produção do sistema econômico vigente, o capitalismo, do qual mantém os recursos naturais sob a logica do mercado e em favor dos interesses da classe detentora dos meios de produção - a burguesia. Desse modo, as fontes de àgua estão em sua maior parte atendendo as demandas do mercado, pois conforme a ANA, em 2017, cerca de 67% do consumo hidrico no Brasil era destinado à irrigação de culturas e somado aos 11% da agropecuária, pode se dizer que o agronegócio consome 78% de toda água consumida no país. Entretanto, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) prevê gastar R$ 20 milhões em uma campanha nacional de consumo doméstico de àgua “consciente”, em 2021.
Dado o exposto, promover práticas indivíduais para os consumidores de água para fins domésticos, não impacta os principais responsaveis pelo gasto abundande de recursos hídricos. Logo, é necessário promover uma reforma agrária popular nacionalizando os latifundiários para redistribui-los em quantidades menores para pequenos agricultores especializados em culturas alternativas à monocultura, das quais não danifiquem a permeabilidade do solo e nem contamine os mananciais.