Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 07/06/2021

A obra literária “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, narra a vida de uma humilde família retirante nordestina, que foge do castigo da seca. Na trama, o autor denuncia o desdém social e a exploração humana diante a aridez. Essa obra, apesar de ter sido publicada há quase um século, mostra o cenário de escassez hídrica ainda presente na sociedade do século XXI, responsável por significativo gasto de água, incumbido pelo consumo contemporâneo. Dito isso, fica claro como o uso excessivo desse recurso contribui para a sua falta e contribui para a situação social atual do homem.

Primeiramente, é perceptível como o consumismo interfere diretamente para a escassez hídrica devido ao elevado gasto na produção de bens de consumo duráveis e não duráveis. Isso fica claro com o conceito de água virtual, o qual refere-se ao total desse líquido empregado desde o início da produção de algo, até chegar ao ponto de venda. Desse modo, é possível saber que, por exemplo, para produzir uma calça jeans são necessários 11 mil litros de água. O pensador francês Gilles Lipovetsky defende, nesse sentido, que a sociedade moderna é organizada em torno do consumismo, sendo preciso, então, criar formas de sustentabilidade e não apenas destruir os recursos naturais. Logo, são necessárias mudanças no sistema produtivo industrial para minimizar as chances de falta de água.

Outrossim, devido a esse descuido com a água, a conjuntura da exploração humana na obra Vidas Secas, torna-se atemporal. Na ficção, a miséria causada pela falta de água se une à miséria forçada pela influência social representada pela exploração dos ricos proprietários da região. Concomitantemente, na atualidade, essa exploração se expressa no conflito entre Israel e Palestina. Israel tem controle total sobre o abastecimento de água palestino. Devido a isso, eles usam esse poder como alavanca e ferramenta de coerção. Segundo relatório do “Climate Diplomacy”, sem saída, palestinos precisam comprar água de Israel e o preço pago por eles é muito mais alto que o preço fixado para assentamentos judeus na mesma região. Segundo relatório da OMS, enquanto judeus consomem aproximadamente 300 litros de água/dia por pessoa, palestinos que estão na Cisjordânia tem acesso a 20 litros de água/dia por pessoa. Dessa forma, a escassez hídrica em determinadas regiões negligenciadas no mundo afeta socialmente a população.

Desse modo, é imperiosa uma ação do Governo Federal, que deve, por meio de parcerias do Ministério do Meio Ambiente com as Secretarias Municipais, implantar a água de reuso nas indústrias e residências e, assim, minimizar a captação desse recurso na natureza, além de aumentar a disponibilidade de água potável, sobretudo nos locais em que a sua distribuição é desigual e negligenciada e, dessa forma, haverá a sustentabilidade de Lipovetsky.