Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 07/06/2021

A despeito de todo progresso científico e humanitário obtido na contemporaneidade, os impactos negativos da escassez de água no século XXI ainda são um grave entrave social. A partir disso, é inegável afirmar que esse impasse esteja vinculado não só a política de consumo exagerado e inconsciente do atual mundo globalizado, mas também a exploração humana perante a seca.

Historicamente, o Brasil é um país com uma enorme desigualdade social evidenciada principalmente no sertão, onde reina a falta de recursos básicos como a água. Em “Vidas Secas”, Graciliano Ramos retrata a realidade de muitas famílias brasileiras que lutam pela sobrevivência ao serem exploradas pelo sistema político falho existente. Para alimentar seus interesses pessoais, as elites dessas regiões não priorizam o acesso à água e desviam esse recurso de maneira desenfreada. Assim, observa-se a influência da realidade etilista no dia a dia do brasileiro, uma vez que fornecer direitos básicos para todos nunca foi uma prioridade. Logo, a universalização do acesso à água urge, visto que a ausência é uma forma de manutenção das abissais desigualdades que impede o desenvolvimento do país ligado diretamente a pobreza extrema.

Ademais, o atual modelo predatório do mercado ameaça a disponibilidade de água potável no mundo. Segundo o sociólogo Milton Santos, vivemos uma globalização perversa, em que as ações visam apenas os interesses do sistema capitalista neoliberal, permitindo que o consumo irracional da água se torna banal. Não é mencionada a imensa quantidade necessária de água para manter a indústria de produção ativa, que, ligada a política de consumo doentia, os inúmeros bens consumidos e descartados de maneira acelerada, geram um enorme ciclo vicioso de desperdício. Evidentemente, a desinformação conduzida pela influência do consumismo em massa não devem existir, para que a escassez hídrica seja minimizada.

Sendo assim, é mister que o Governo Federal, juntamente às prefeituras municipais e órgãos ambientais, institua políticas de universalização do acesso à água para todos, priorizando áreas carentes desse recurso, através de obras de infraestrutura que garanta água potável em abundância, severas fiscalizações no controle dessa verba disponível e no grande desperdício hídrico nas indústrias também devem ser reforçadas. Tudo isso para que os cidadãos tenham seus direitos básicos garantidos e a água do planeta seja preservada, possibilitando todas as formas de vida e a diminuição da desigualdade penetrada em nossa sociedade.