Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 08/06/2021
A despeito de todo desenvolvimento tecnológico produzido pela humanidade, destaca-se ainda o impasse gerado pela escassez de água, que afeta todo o mundo, em especial os países mais pobres. Dessa maneira, é necessário entender as razões históricas que levam a tal estado, para assim se traçar um caminho que leve até a satisfação das necessidades de todas as partes do globo, sem que se deixe de preservar uma harmonia política e econômica entre elas.
Em primeiro lugar, é importante salientar a relevância da sucessão temporal dos processos de industrialização no mundo. Dessa maneira, nota-se que enquanto a Primeira Revolução Industrial se deu nos países do Ocidente europeu, os países que hoje mais sofrem com a escassez de água ainda eram suas colônias. Assim, como afirmava o jornalista Eduardo Galeano, “não há riqueza que não se explique pela pobreza”; o veloz desenvolvimento do Norte do mundo, se explica pela tardia e primária estrutura econômica do Sul, que se encontra em direta dependência do capital estrangeiro, incapaz de propriamente criar um mercado interno e atender as necessidades do consumo hídrico de suas populações.
Além disso, também é notável a lucratividade do mantimento do superconsumo nos países desenvolvidos, que tratam a água enquanto mercadoria. Em virtude do domínio capitalista sobre os recursos naturais, destaca-se que em tais países o consumo de água é altíssimo, exatamente por estar presente nos mais diversos processos industriais, desde a produção têxtil até a alimentícia. Dessa forma, nas ditas sociedades do consumo, existem determinações econômicas que constroem um homem direcionado aos baixos preços dos itens industrializados e alimenta o ciclo desse sistema.
Portanto, conclui-se que a estruturação dos problemas em torno da escassez da água surge a partir um longo desnivelamento histórico. Assim, o ideal para reparar tal desigualdade se daria pelo planejamento e intervenção de organizações globais, tais como a Organização Mundial do Comércio, incentivando um desenvolvimento econômico ambientalmente sustentável e que não seja direcionado para a acumulação e consumo dos países já desenvolvidos, de tal maneira que a água cumpra sua função mais essencial, afastando-a dos excessos consumistas e aproximando-a das bocas que a clamam.