Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 08/06/2021

Na obra literária “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, é perceptível o contínuo anseio pela sobrevivência humana, a fim de obter um direito universal inquestionável: a água. A escassez desse bem hídrico tornou-se um problema atemporal e aflige a sociedade contemporânea à medida que sua demanda e consumo aumentam. Assim, torna-se imprescindível alterar esse uso desregulado e combater a desigualdade na obtenção de tal recurso.

Primeiramente, é válido expor que atual cenário comercial brasileiro está condicionado a lógica capitalista de busca por lucro e expansão econômica. Esse comportamento aumenta o consumo hídrico e elétrico que, dinamizado com a produção em massa, gera maior rendimento a favor da demanda. Desse modo, a uma maior necessidade de represar rios para fins energéticos ocasionando desequilíbrios ambientais, como por exemplo, no ciclo das chuvas e no acúmulo de gás metano na atmosfera liberada na decomposição anaeróbica de folhas submersas.

Ademais, o Brasil enfrenta uma crise hídrica, principalmente, o estado de São Paulo, que sofre com o esgotamento do reservatório da Canteira. Tal fato, somado à ausência de chuvas e à demanda de suprir as necessidades da população, fomentou um processo de conscientização e controle da distribuição da água em determinados dias da semana. Porém, ainda que a mídia se volte à localidade econômica mais desenvolvida do país, a região Nordeste já convive, há anos, com a ausência de abastecimento total desse fluido. Por conseguinte, atinge os grandes centros urbanos, como a Paraíba e Campina Grande. Essa realidade prova que as dificuldades climáticas, como o período de estiagem e a seca de rios, além do descaso político contribuíram para o alastramento dessa insuficiência hídrica.

Logo, torna-se evidente, portanto, a importância do poder midiático e do Ministério do Meio Ambiente, alertar e orientar ao público sobre o uso consciente, através de campanhas e divulgações. Em segundo lugar, salienta-se a importância de evitar inundações em áreas florestais e promover a instalação de hidrelétricas, que são o suprassumo do abastecimento industrial e doméstico. Ademais, o racionamento no Sudeste prevenirá a seca absoluta da água nesse período de crise. Já o Nordeste, que recebe esse tratamento e ainda sim, sofre com fatores sociais, o ato humanitário de transportar parte da água do aquífero Guarani seria a principal medida para promover a igualdade de distribuição da água, enquanto o poder público investe em pesquisas para driblar os fatores climáticos.