Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 16/07/2021

“Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo”, disse Mahatma Gandhi. Associando esse pensamento a um contexto hídrico, a crise de abastecimento de água funciona como gotas de sujeira poluidoras. Nesse prisma, fatores como a falta de informação e um pensamento banal impedem a limpeza do grande oceano chamado sociedade.

Em primeira análise, uma restrição de acesso ao conhecimento mostra-se como um dos desafios para a resolução do problema. Segundo Arthur Schopenhauer, os limites do campo de visão das pessoas determinam sua compreensão acerca do mundo. Por esse ângulo, a fala do filósofo justifica a causa do problema: se as pessoas não possuem informações suficientes sobre a crise hídrica brasileira - exemplos, reportagens, relatos -; o campo de visão será limitado, e a sociedade sofrerá com a defasagem de água, em que os cidadãos modificam sua realidade. Por isso, é necessária a informatização social de modo que os cidadãos sejam ativistas dos cuidados com o bem mais precioso do ecossistema: a água.

Em segunda análise, um raciocínio trivial sobre os prejuízos do uso desenfreado de recursos hídricos apresenta-se como outro fator dificultador do bem-estar. Conforme Hannah Arendt, na teoria da banalidade do mal, o ato preconceituoso passa a ser feito inconscientemente quando os indivíduos normalizam tal situação, comparando com a carência de preocupação pela população da utilização sem freios de rios, mares, manguezais, entre outros, tornando comum o pensamento de que o aporte de água é infinito, realidade utópica. Nesse sentido, essa ação de negligenciar pela despreocupação acarreta prejuízos sociais, como o aumento da conta de luz pela reedução de volume em hidrelétricas, assim como a irrigação de alimentos da agricultura. Com isso, se essa banalidade não for combatida, o resultado será a escassez hídrica e um coletivo desunido quanto à melhora da qualidade de vida.                        Portanto, medidas são necessárias para diminuir a crise hídrica brasileira. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Educação promover palestras, ministradas por psicólogos, com o “slogan”: “A água é importante”. Esse projeto pode ser feito mediante um diálogo - aberto e gratuito a toda população - entre o público presente e o especialista sobre o uso exacerbado de água pela população, com dados, infográficos e reportagens, a fim de evidenciar a importância da água e como ela deve ser preservada, de mo que os indivíduos reflitam sobre sua utilização do recurso e como podem melhorar, resultando em uma comunidade informatizada e ativista do bem-estar civilizatório. Dessa forma, a limpeza do grande oceano, a fé na humanidade e um campo de visão menos banal tornar-se-ão destinos certos.