Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 20/07/2021

A Revolução Verde, iniciada durante o século XX, representou a aquisição, em larga escala, pelos países subdesenvolvidos, de tecnologias que aumentassem a produção agrícola, tais como máquinas, agrotóxicos e sistemas de irrigação responsáveis por um uso significativo de água. Entretanto, apesar do ramo agrícola, assim como outras atividades econômicas, utilizar esse recurso indiscriminadamente, é notório que uma parte da população brasileira enfrenta os impactos da escassez de água potável no século XXI. Dessa maneira, essa carência promove tanto dificuldades na garantia de condições mínimas de sobrevivência quanto é gerada pela ação humana predatória sobre o meio ambiente.

Primeiramente, a falta de água própria para o consumo é capaz de acentuar realidades de pobreza presentes no Brasil. Assim, consoante retratado pela obra “Vida Secas”, escrita por Graciliano Ramos, uma família de retirantes não só é oprimida pela conjuntura ambiental de um cenário marcado pela seca, como também pelos mecanismos sociais de exploração ao seu redor. De forma análoga,  no cotidiano do século XXI, parte dos cidadãos do país sofre com os impactos da escassez hídrica e, por conseguinte, com a dificuldade de garantir condições adequadas de sobrevivência. Logo, há o contraste entre o uso indiscriminado de água pelos latifúndios, como a partir da Revolução Verde, com a privação de direitos mínimos associados a ela, como saúde e alimentação, vivenciada pelos brasileiros.

Outrossim, atividades humanas que priorizam o crescimento econômico e ignoram os efeitos ambientais também acentuam a questão da insuficiência de água no Brasil. Desse modo, tal comportamento é perceptível desde os primórdios da colonização do  país, em que houve quase a completa devastação da Mata Atlântica em nome do lucro obtido com a extração do pau-brasil. Portanto, na contemporaneidade, persistem as atividades predatórias que, além da poluição dos rios, mediante a destruição das florestas, interferem no ciclo natural das chuvas e  agravam os impactos  da escassez hídrica. Consequentemente, são indispensáveis ações estatais que conciliem o desenvolvimento da economia com a preservação dos ecossistemas.

Diante disso, para que sejam amenizados os efeitos causados pela carência de água potável, é necessário que o Ministério do Desenvolvimento Regional crie o Plano de Acesso à Água que, por meio da captação da água excedente e distribuição para as áreas carentes na nação, organizadas por profissionais competentes, irá diminuir as dificuldades de sobrevivência relacionadas à carência hídrica. Tal captação deverá ocorrer em regiões com chuvas intensas, como a Região Norte. Ademais, esse mesmo Plano punirá as empresas com condutas prejudiciais ao meio ambiente. Em suma, o Brasil conciliará o desenvolvimento da economia com a garantia dos direitos básicos a sua população.