Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 26/07/2021

Pero Vaz de Caminha, em seus escritos na “Carta do Achamento”, descreveu as águas da terra recém descoberta como muitas e infinitas. Conquanto, o século XXI revela uma escassez hídrica grave no Brasil, problema crônico pautado na desigualdade da distribuição de água e na expansão do agronegócio, com perversas repercussões socioambientais. Diante desse cenário, faz-se imperiosa a análise dos fatores que levam a esse quadro.

Em primeiro lugar, vale salientar que o acesso a água no Brasil é um direito social, garantido pela Lei das Águas, de 1997. Percebe-se, no entanto, que as localidades com maior poder aquisitivo são as que detêm um maior aporte na distribuição hídrica, de acordo com dados da Agência Nacional das Águas (ANA). Dessa forma, o Estado brasileiro, ao não propiciar as condições igualitárias para o usufruto da água, reproduz as mesmas desigualdades e iniquidades que deveria combater. Tal fato, agrava-se ainda mais pela incompetência na gestão dos esgotos, pela falta planejamento urbano e da pouca conscientização no consumo. Com efeito, concorre-se para uma realidade injusta e prejudicial a qualidade de vida da população.

Por outro lado, a expansão das atividades agropecuárias de modo desenfreado acarreta diretamente na escassez de água. Nessa perspectiva, emerge o conceito de “água virtual”, aquela utilizada nessa produção, isto é, no volume hídrico gigantesco utilizada para produção agropastoril que culmina diretamente em interesses econômicos. Dessa forma, para Milton Santos, as questões ambientais quando vistas do ponto de vista financeiro, suscitam desequilíbrios que desprivilegiam a sociedade. Logo, ao inferir alterações no ciclo, no uso e na distribuição de água, o agronegócio tem se tornado atividade danosa. É inconcebível que esse fato continue a perdurar.

É fundamental, portanto, que medidas sejam tomadas para resolução dessa problemática. Assim, a Secretaria Nacional de Segurança Hídrica, juntamente com a ANA e os Institutos Federais de Ensino devem promover o “Programa de Acesso e Manejo a Água (Pró-Água)”, que vise uma melhor distribuição e consumo desse bem. Essa iniciativa aconteceria por meio de grupos de estudo e fiscalização utilizando novas tecnologias, ao passo que implementasse políticas para acesso e distribuição, atingindo o poder público, as atividades econômicas e a população. A fim de dirimir os efeitos da escassez de água, essas tão vastas no tempo do descobrimento, e assim garantir o acesso e sobretudo, a qualidade de vida para todos.