Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 31/07/2021
Na série de filmes “Mad Max”, é retratado o colapso da humanidade, em decorrência da falta de água potável. Não distante da ficção, no Brasil atual, a escassez dos recursos hídricos ganha patamares alarmantes, exigindo urgência de enfrentamento. Nesse contexto, vê-se que isso ocorre pelo falho papel tanto da administração pública, como também social. Logo, é necessário o debate sobre o assunto.
Em primeira análise, constata-se o falho papel governamental frente à negativa relação entre a crise hídrica e a desigualdade social. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 2021, 27 milhões de brasileiros estão abaixo da linha da pobreza. Nesse viés, a fome e as dificuldades financeiras, em muitos casos, estão vinculados ao pouco acesso à água potável, em razão do exorbitante número de verbas anualmente desviadas pelos representantes políticos, originalmente destinadas a transposição de rios e programas de abastecimento e irrigação dessas regiões, induzindo a baixa produtividade agrícola e, assim, o decaimento da renda dessas pessoas. Dessa forma, é inaceitável que a gestão nacional desvie o foco dessa questão.
Ademais, outro fator a salientar é o comportamento pouco sustentável da população. Na obra “O Ensaio da Cegueira”, o escritor José Saramago descreve a falta de preocupação social quanto aos problemas ambientais. Nesse sentido, é fato que a escassez hídrica possui raízes no comportamento dos indivíduos, já que o alto desperdício residencial, por exemplo, torneiras abertas sem aproveitamento, contribuem para o rápido esvaziamento dos reservatórios públicos. Com isso, faz-se mister a reformulação dessa postura irresponsável, de forma emergencial.
Portanto, é evidente a necessidade de medidas interventivas. Desse modo, o governo brasileiro, por meio de incentivos financeiros oriundos do tesouro nacional, deve fomentar a criação de comitês compostos por trabalhadores, residentes e líderes sindicalistas, das áreas contempladas pelos projetos que visam levar água para regiões carentes, com a função de supervisionarem o repasse e o uso dos aportes monetários investidos nessas obras, com o intuito de amenizar o desvio desse capital. Além disso, o Estado deve publicar, nas principais mídias sociais, cartilhas do uso correto da água. Feito isso, o colapso retratado na ficção, dará lugar a uma realidade sustentável.