Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 09/08/2021

Influenciada pela corrente positivista, a frase “Ordem e Progresso” na bandeira brasileira se refere à evolução de uma nação em aspectos econômicos, tecnológicos, ambientais e culturais. No contexto hodierno, entretanto, a escassez de água revela-se como um retrocesso, sendo, portanto, imprescindível verificar seus diversos impactos negativos no corpo social. Nesse sentido, urge analisar os seguintes aspectos: a gestão hídrica ineficaz e, além disso, as suas consequências.

Em primeiro plano, evidencia-se a má administração dos recursos hídricos como um fator que corrobora à temática. Diante disso, pode ser exemplificado no setor agropecuário, tendo que em vista que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 70% da água doce mundial é direcionada para esse ramo, a qual a sua reutilização é impossibilitada, uma vez que fora contaminada com altos índices de fertilizantes agrícolas. Ademais, salienta-se o desperdício da água, por parte da população, como em banhos demorados, o uso excessivo de mangueiras para a lavagem de estabelecimentos ou automóveis, isso devido a falsa ilusão da eternidade hídrica, devido a vasta dimensão do planeta Terra.  Logo, torna-se urgente a mudança desse cenário negativo.

Consequentemente, os impactos socioeconômicos e ambientais denunciam-se presentes no contexto contemporâneo. Nesse viés, são exemplos as secas de verão, principalmente em regiões semiáridas, como o Nordeste, que, por conseguinte, prejudicam, sobretudo, a agricultura familiar e seus associados, no que tange à subsistência e o abastecimento do mercado local, dado que as colheitas são danificadas e o solo torna-se improdutivo. Assim, é inegável que esse cenário revela-se antagônico ao princípio elucidado na bandeira brasileira.

Dessarte, urgem medidas para a modificação do panorama vigente, a fim de coibir os impactos causados pela escassez hídrica no século XXI e, acima de tudo, no Brasil. Para isso, o Ministério do Meio Ambiente, órgão responsável não só pelo cuidado, mas também pela regulamentação dos aspectos que cercam esse setor, deve fiscalizar o uso exarcebado da água e de fertilizantes pelos agricultores, por meio de uma tabela de controle estatístico mensal, a fim de minimizar o desperdício e a contaminação dos recursos hídricos. Outrossim, tal órgão deve, em parceria com as mídias de televisão, promover, mediante programas que agreguem profissionais ambientalistas, o debate acerca do desperdício de água e seus respectivos impactos sociais, a fim de não somente informar, mas, sobretudo, sensibilizar a população e desmitificar o caráter ilusório sobre a eternidade de tal recurso hídrico.