Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 11/08/2021
O livro “Ensaio sobre a cegueira”, de José Saramago, fala sobre a importância de ter olhos quando os outros já os perderam, fazendo uma reflexão sobre a cegueira cultural, moral e ética nas sociedades. No mesmo viés do autor, no século XXI, pode-se fazer uma analogia entre a cegueira da sociedade perante aos impactos da escassez da água. Dessa maneira, é fundamental analisar a problemática que tem a ineficiência estatal e o silenciamento como principais causas.
Em primeiro lugar, cabe abordar a triste insuficiência estatal ao priorizar interesses capitalistas. De acordo com o artigo 196º da Constituição Federal, saúde é um direito de todos e dever do Estado. Nessa perspectiva, sabendo que a água é um composto inorgânico que se faz presente em mais de 95% do corpo humano, ou seja, elemento primordial para manter a vida, percebe-se uma negligência por parte do Governo em promover uma adequada distribuição de água para a sociedade, uma vez que, apesar de o Brasil ser o país que possui os dois maiores aquíferos mundiais, o maior consumo nacional gira em torno da atividade agropecuária, priorizando assim a renda advinda da exportação. Logo, urge que esse fator não se perpetue.
Outrossim, a falta de debate do assunto é um entrave nesse cenário. Djamila Ribeiro explica que é preciso tirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. Porém, há um silenciamento instaurado na questão da escassez da água, seja por parte da mídia, a qual não promove discussões que elevem o nível de informação da população, seja por parte das escola, as quais pouco falam do tema, o que gera a desinformação na maioria do povo .Ademais, enquanto o problema não é colocado em evidência, as pessoas continuam consumindo a água de forma inconsciente e exagerada. Dessa forma, é necessário tirar essa situação da invisibilidade e atuar sobre ela, como defende a pensadora.
Em síntese, é fulcral que medidas sejam tomadas com intuito de mitigar os impactos do problema. Para isso, o Estado, em parceria com o MEC(Ministério da Educação), por meio da destinação de verbas, deve implementar em todas as escolas campanhas semestrais do uso consciente da água e a importância desta para a vida terrestre, contratando biólogos especializados para levar o tema aos alunos e pais participantes, além de promover informações do assunto por meio da publicidade nas mídias de massa, para que a nação esteja inteirada e possa assim utilizar adequadamente o elemento químico. Deve, ainda, por meio de projetos de leis, criar centros de distribuição de água em várias regiões do país, principalmente nas regiões castigadas pela seca, para que todos tenham acesso ao composto de forma igualitária. Sendo assim, a cegueira será apenas parte do livro.