Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 26/08/2021

O livro “O Quinze”, escrito pela modernista Rachel de Queiroz, retrata a vida miserável de uma família de retirantes nordestinos que migram para outras regiões, a fim de obter um direito básico, o acesso à água potável. Fora da ficção, esse cenário corresponde à realidade de parte da sociedade verde-amarela, uma vez que a escassez hídrica é uma problemática que ainda persiste em afligir o país. Tal situação se deve ao uso excessivo de fluidos, mas também ao descaso do Estado.

Em primeira análise, o aumento populacional e o processo de produção de produtos e alimentos para suprir as demandas desses indivíduos contribuíram para um enorme desperdício de água. Visto que a quantidade líquida utilizada na fabricação de uma calça jeans necessita de aproximadamente 10.000 litros. Assim, o “Consumo Virtual” faz o mau uso desse bem líquido, com o objetivo das empresas de obterem somente lucros. Por consequência, cidadãos possuem acesso desigual ao abastecimento hídrico.

Ademais, o sertão nordestino é caracterizado por ser uma região que possui longos períodos de secas, mas devido à negligência governamental os transtornos nessa área persistem. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser associada a um corpo biológico, devido ter partes que interagem entre si. Sob esse viés, ao associar a crise hídrica no Nordeste, a ausência de domicílios com rede de saneamento básico tem impactos no desenvolvimento socioeconômicos do Brasil.

Logo, é necessário que o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com as empresas privadas, promovam a economia desse recurso, com a reutilização da água em indústrias e moradias, por meio da construção de infraestruturas para tratamento, com intuito de reduzir o desperdício. Além disso, o Governo deve redirecionar verbas para instituições de pesquisas e para infraestruturas associadas à distribuição hídrica, como cisternas e barragens subterrâneas, a fim de aumentar a disponibilidade de água potável em locais em que a distribuição é desigual e negligenciada.